HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
Lactente de 20 meses apresentou uma primeira crise convulsiva tônico-clônica generalizada, com duração menor que dois minutos. Logo após a crise, o bebê ficou sonolento, e, 20 minutos depois, não apresentava mais nenhuma anormalidade. A mãe relatou coriza, obstrução nasal e tosse há cerca de dois dias. No exame físico, temperatura de 39,2 ºC, frequência cardíaca de 112 batimentos por minuto e frequência respiratória de 28 movimentos por minuto. A pressão arterial foi de 84 x 48 mmHg, há hiperemia acentuada da orofaringe, ausência de rigidez de nuca ou deficits neurológicos focais. A conduta mais apropriada é
Crise convulsiva febril simples: <15 min, generalizada, única em 24h, sem déficit pós-ictal → benigna, não requer anticonvulsivante contínuo.
O quadro clínico descrito (lactente 20 meses, primeira crise tônico-clônica generalizada <2 min, sem déficits focais, associada à febre e infecção viral de vias aéreas superiores) é clássico de uma crise convulsiva febril simples, que é benigna e não exige tratamento anticonvulsivante contínuo. A conduta é tranquilizar os pais e orientar sobre o manejo da febre.
A crise convulsiva febril (CCF) é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise convulsiva associada à febre (temperatura ≥ 38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou história de crise convulsiva afebril prévia. A fisiopatologia envolve a imaturidade cerebral e a resposta inflamatória à febre, que diminui o limiar convulsivo. A CCF é classificada como simples ou complexa. A crise convulsiva febril simples, como a descrita no caso, é a mais comum e possui critérios bem definidos: crise tônico-clônica generalizada, duração < 15 minutos, ocorrência de apenas uma crise em 24 horas e ausência de déficits neurológicos focais pós-ictais. O prognóstico é excelente, sem aumento do risco de epilepsia ou comprometimento do desenvolvimento neurológico a longo prazo. A conduta para uma crise convulsiva febril simples é primariamente de suporte e orientação. Não há indicação para iniciar anticonvulsivantes de manutenção devido à benignidade do quadro e aos potenciais efeitos adversos dos medicamentos. A prioridade é controlar a febre, investigar a causa da infecção e tranquilizar os pais, explicando a natureza benigna e autolimitada da condição. A punção lombar é reservada para casos com sinais de infecção do SNC ou em lactentes muito jovens com vacinação incompleta.
Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada, duração menor que 15 minutos, ocorrência de apenas uma crise em 24 horas e ausência de déficits neurológicos focais pós-ictais.
Durante a crise, garantir a segurança da criança. Após a crise, controlar a febre com antitérmicos e investigar a causa da febre. Em casos de crise simples, a orientação aos pais sobre a benignidade é fundamental, sem necessidade de anticonvulsivantes de manutenção.
A punção lombar é indicada se houver sinais de meningite ou meningoencefalite (rigidez de nuca, fontanela abaulada, letargia persistente), em lactentes < 12 meses sem vacinação completa, ou se o estado clínico não se normalizar rapidamente.
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