Crise Convulsiva Febril Simples: Diagnóstico e Conduta

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Lactente, sexo feminino, com 11 meses de idade é trazida ao pronto socorro pelos pais, que relatam que a criança apresentou um episódio de febre (39℃) e, subitamente, ficou com o corpo rígido e apresentou movimentos rítmicos nos quatro membros, com duração aproximada de 2 minutos. Após o episódio, a criança ficou sonolenta por cerca de 10 minutos, mas agora está responsiva e interage com os pais. Não há histórico de convulsões anteriores sem febre, e o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade. Ao exame físico, a criança apresenta hiperemia de orofaringe e otoscopia normal. Diante do exposto, qual é a conduta mais apropriada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar imediatamente um Eletroencefalograma (EEG) e ressonância magnética de crânio para investigar a causa da convulsão.
  2. B) Realizar punção lombar, para descartar meningite, devido à idade da criança e à primeira crise convulsiva.
  3. C) Orientar os pais sobre a benignidade do quadro, prescrever um antipirético e liberar a criança para casa, com orientação de retorno em caso de nova convulsão.
  4. D) Iniciar profilaxia contínua com fenobarbital, para prevenir futuras convulsões febris e o desenvolvimento de epilepsia.
  5. E) Administrar diazepam retal profilaticamente para ser usado em casa em caso de nova febre.

Pérola Clínica

Crise febril simples (6m-5a, <15min, generalizada) → Conduta expectante + Orientação + Antipirético.

Resumo-Chave

A crise febril simples é uma condição benigna e autolimitada que não requer investigação exaustiva com exames de imagem ou líquor se o estado pós-ictal for normal.

Contexto Educacional

A crise febril simples é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, ocorrendo tipicamente entre os 6 meses e 5 anos de idade, com pico aos 18 meses. A fisiopatologia está ligada à imaturidade do sistema nervoso central frente à elevação rápida da temperatura corporal. O diagnóstico é eminentemente clínico, exigindo uma anamnese detalhada para descartar crises afebris prévias e um exame físico focado na busca do foco infeccioso. O manejo prioritário é a tranquilização dos pais, explicando a natureza benigna do evento e o baixo risco de sequelas neurológicas. O uso de anticonvulsivantes profiláticos (contínuos ou intermitentes) não é recomendado para crises simples devido aos efeitos colaterais que superam os benefícios. O foco deve ser o tratamento da causa da febre e o uso de antipiréticos para conforto da criança.

Perguntas Frequentes

Quando indicar punção lombar na crise febril?

A punção lombar deve ser considerada se houver sinais meníngeos (rigidez de nuca, Brudzinski, Kerning), abaulamento de fontanela, estado pós-ictal prolongado ou se a criança estiver em uso de antibióticos que possam mascarar uma meningite. Em crises febris simples típicas com retorno rápido ao estado basal, o procedimento não é rotineiramente indicado.

Crise febril simples aumenta o risco de epilepsia?

O risco de desenvolver epilepsia após uma crise febril simples é apenas levemente superior ao da população geral (cerca de 1-2% vs 0,5-1%). Fatores que aumentam esse risco incluem anormalidades prévias no desenvolvimento, histórico familiar de epilepsia ou se a crise for classificada como complexa (focal, prolongada ou recorrente em 24h).

Qual a duração máxima de uma crise febril simples?

Uma crise febril é classificada como simples quando é generalizada, dura menos de 15 minutos (geralmente menos de 2-5 minutos) e não se repete dentro de um período de 24 horas durante o mesmo episódio febril.

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