Crise Convulsiva Febril Atípica: Investigação e Manejo

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 7 anos de idade, apresenta quadro de tosse, coriza hialina, obstrução nasal e febre de até 38,9oC há um dia. Naga vômitos ou diarreia, mantem boa aceitação alimentar. Há uma hora, os pais presenciaram quadro de perda de consciência, abalos de membros superiores e inferiores, associado a sialorréia e eversão do olhar. Referem que o episódio durou três minutos, com resolução espontânea; a criança ficou sonolenta após o episódio e foi se recuperando. Trata-se de criança previamente hígida, os pais negam quadro semelhante prévio. Ao exame clínico, a criança está em bom estado geral, corada, hidratada, ativa e reativa, com boa perfusão periférica, FR = 28 irpm, FC = 90 bpm, PA = 92 x 58 mmHg, T = 39,1oC. Discreta hiperemia de orofaringe. Sem sinais meníngeos ou outras alterações ao exame clínico. Frente a este quadro clínico, além de administrar antitérmico, a conduta é:

Alternativas

  1. A) Proceder investigação infecciosa, radiológica e avaliação de neuro pediatria pois o diagnóstico de crise convulsiva febril não deve ser considerado;
  2. B) Manter observação clínica sem outras medicações e sem coleta de exame laboratorial neste momento visto que o exame físico da criança é normal e há história familiar positiva para crise convulsiva febril;
  3. C) Realizar tomografia de crânio e, se estiver normal, considerar o diagnóstico de crise convulsiva febril;
  4. D) Iniciar triagem infecciosa, incluindo a coleta de liquor para realizar exame quimiocitológico, bacterioscopia e cultura e se estiver normal, tranquilizar a família por tratar-se provavelmente de crise convulsiva febril.

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril > 5 anos é atípica → investigar neuroinfecção e outras causas.

Resumo-Chave

Crises convulsivas febris são típicas entre 6 meses e 5 anos. Uma criança de 7 anos com crise convulsiva febril deve ser investigada para outras etiologias, incluindo neuroinfecções e outras causas de convulsão, pois o diagnóstico de crise convulsiva febril simples é menos provável.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril (CCF) é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. É definida como uma crise convulsiva que ocorre na presença de febre (>38°C), sem evidência de infecção intracraniana ou causa metabólica, e em uma criança sem histórico de crises afebris prévias. A faixa etária típica para CCF simples é de 6 meses a 5 anos. Compreender essa definição é crucial para diferenciar a CCF de outras condições mais graves. A fisiopatologia da CCF não é completamente compreendida, mas acredita-se que envolva uma predisposição genética e a imaturidade do sistema nervoso central, que o torna mais suscetível a descargas elétricas anormais em resposta à elevação rápida da temperatura. A apresentação clínica clássica é uma crise tônico-clônica generalizada, de curta duração (geralmente < 5 minutos), com recuperação espontânea. No entanto, características atípicas, como idade fora da faixa, crises focais, prolongadas ou recorrentes em 24 horas, exigem investigação mais aprofundada. No caso de uma criança de 7 anos com crise convulsiva febril, o diagnóstico de CCF simples é improvável devido à idade. Nesses casos, a conduta deve incluir uma investigação completa para excluir outras etiologias, como neuroinfecções (meningite, encefalite), epilepsia, distúrbios metabólicos ou outras causas estruturais. A avaliação pode envolver exames laboratoriais, punção lombar (se houver sinais de meningite ou características atípicas), e, em alguns casos, neuroimagem e eletroencefalograma, para garantir um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Qual a faixa etária típica para a crise convulsiva febril simples?

A crise convulsiva febril simples ocorre tipicamente em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, sendo mais comum entre 12 e 18 meses.

Quais características tornam uma crise convulsiva febril atípica?

Uma crise convulsiva febril é considerada atípica se ocorrer fora da faixa etária usual (antes de 6 meses ou após 5 anos), se for focal, prolongada (>15 minutos), ou se houver mais de uma crise em 24 horas.

Por que uma criança de 7 anos com convulsão febril precisa de investigação?

Aos 7 anos, a probabilidade de uma crise convulsiva febril simples é baixa. É crucial investigar outras causas, como neuroinfecções (meningite, encefalite), distúrbios metabólicos, ou epilepsia, para garantir um diagnóstico e tratamento adequados.

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