Crise Convulsiva Febril Atípica: Quando Investigar Mais?

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menina, 7 anos de idade, apresenta quadro de tosse, coriza hialina, obstrução nasal e febre de até 38,9°C há um dia. Nega vômitos ou diarreia, mantem boa aceitação alimentar. Há uma hora, os pais presenciaram quadro de perda de consciência, abalos de membros superiores e inferiores, associado a sialorréia e eversão do olhar. Referem que o episódio durou três minutos, com resolução espontânea; a criança ficou sonolenta após o episódio e foi se recuperando. Trata-se de criança previamente hígida, os pais negam quadro semelhante prévio. Ao exame clínico, a criança está em bom estado geral, corada, hidratada, ativa e reativa, com boa perfusão periférica, FR = 28 irpm, FC = 90 bpm, PA = 92 x 58 mmHg, T= 39,1°C. Discreta hiperemia de orofaringe. Sem sinais meníngeos ou outras alterações ao exame clínico. Frente a este quadro clínico, além de administrar antitérmico, a conduta é:

Alternativas

  1. A) Proceder investigação infecciosa, radiológica e investigação neurológica pois o diagnóstico de crise convulsiva febril não deve ser considerado
  2. B) Manter observação clínica sem outras medicações e sem coleta de examelaboratorial neste momento visto que o exame físico da criança é normal e há história familiar positiva para crise consulviva febril
  3. C) Realizar tomografia de crânio e, se estiver normal, considera o diagnóstico de crise convulsiva febril
  4. D) Iniciar triagem infecciosa, incluindo a coleta de líquor para realizar exame quimiocitológico, bacterioscopia e cultura e se estiver normal, tranquilizar a família por tratar-se provavelmente de crise convulsiva febril

Pérola Clínica

Convulsão febril em criança > 6 anos OU complexa (duração >15min, focal, recorrente em 24h) → Investigar outras causas.

Resumo-Chave

A crise convulsiva febril simples ocorre tipicamente entre 6 meses e 5 anos, é generalizada, dura < 15 minutos e não se repete em 24 horas. Neste caso, a idade de 7 anos e a necessidade de excluir outras causas mais graves, como meningite ou encefalite, tornam a investigação mais aprofundada mandatória, não sendo uma crise febril simples.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril é um evento neurológico comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. É definida como uma convulsão que ocorre na presença de febre (>38°C), sem evidência de infecção intracraniana, distúrbio metabólico ou histórico de convulsões afebris. A maioria é do tipo simples, que são benignas e não deixam sequelas. No entanto, é crucial diferenciar as crises febris simples das complexas e de outras causas mais graves de convulsão. Os critérios para crise convulsiva febril simples incluem: idade entre 6 meses e 5 anos, convulsão generalizada tônico-clônica, duração inferior a 15 minutos e ocorrência de apenas um episódio em 24 horas. Qualquer desvio desses critérios, como idade fora da faixa, convulsão focal, duração prolongada (>15 min) ou recorrência em 24 horas, classifica a crise como complexa e exige uma investigação mais aprofundada para excluir outras etiologias. No caso apresentado, a criança tem 7 anos, o que já está fora da faixa etária típica para crise febril simples. Embora a duração tenha sido de 3 minutos e o episódio único, a idade por si só já levanta a necessidade de investigação. A conduta deve incluir uma triagem infecciosa completa (hemograma, PCR, urocultura, hemocultura) e, dependendo da avaliação clínica, considerar punção lombar para descartar meningite ou encefalite, e neuroimagem (TC ou RM de crânio) para excluir lesões estruturais. O diagnóstico de crise convulsiva febril só deve ser considerado após a exclusão de outras causas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma crise convulsiva febril simples?

Uma crise convulsiva febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos, não se repete dentro de 24 horas e ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, sem histórico de doença neurológica prévia ou infecção do SNC.

Por que a idade de 7 anos na questão torna o diagnóstico de crise convulsiva febril menos provável?

A idade de 7 anos está acima do limite superior típico (5-6 anos) para crises convulsivas febris simples, o que aumenta a suspeita de outras etiologias, como epilepsia ou infecções do sistema nervoso central, exigindo investigação mais aprofundada.

Quais exames devem ser considerados na investigação de uma crise convulsiva febril atípica?

Em casos atípicos, a investigação pode incluir punção lombar (para excluir meningite/encefalite), neuroimagem (TC ou RM de crânio) e eletroencefalograma (EEG) para avaliar a atividade elétrica cerebral e descartar outras causas de convulsão.

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