UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Criança de 4 anos com quadro de febre e cefaleia há 6 dias, em tratamento para rinussinusite bacteriana com amoxicilina + clavulanato de potássio há 2 dias. Hoje, durante pico febril, apresentou crise convulsiva inédita de curta duração, evoluindo com melhora espontânea em 5 a 10 minutos após os pais envolverem a criança com compressa fria. Ao chegar ao pronto atendimento, a criança já estava acordada, consciente, sem sequelas neurológicas. Sinais vitais estáveis e sem sinais meníngeos. Nesse caso, a conduta correta é
Crise convulsiva inédita + febre prolongada + foco infeccioso próximo SNC → investigar meningite/complicação intracraniana.
Embora a criança esteja bem após a crise, a presença de uma crise convulsiva inédita em um contexto de febre prolongada e infecção bacteriana (rinussinusite) levanta a suspeita de complicação intracraniana, como meningite ou abscesso, justificando a punção lombar para investigação.
A crise convulsiva febril é um evento neurológico comum na infância, geralmente benigno. No entanto, é crucial diferenciar as crises febris simples das complexas ou sintomáticas agudas, que podem indicar uma condição subjacente grave. A epidemiologia mostra que a maioria das crises febris ocorre entre 6 meses e 5 anos de idade, com pico em torno de 18 meses. A fisiopatologia envolve a imaturidade do cérebro infantil e a resposta inflamatória à febre. O diagnóstico diferencial é fundamental, especialmente em casos de crise inédita, febre prolongada ou foco infeccioso próximo ao sistema nervoso central (SNC). Nesses cenários, a suspeita de meningite, encefalite ou outras complicações intracranianas deve ser alta, mesmo na ausência de sinais meníngeos clássicos, que podem ser sutis em crianças pequenas. A conduta inicial em uma crise convulsiva febril complexa ou com sinais de alerta inclui estabilização do paciente e investigação etiológica. A punção lombar é um procedimento diagnóstico essencial para descartar meningite bacteriana, especialmente quando há suspeita de infecção do SNC. O tratamento subsequente dependerá do diagnóstico estabelecido, podendo incluir antibioticoterapia específica e manejo de complicações.
Uma crise convulsiva febril é complexa se durar mais de 15 minutos, for focal, ou ocorrer mais de uma vez em 24 horas. A presença de um desses critérios exige investigação mais aprofundada.
A punção lombar é indicada devido à crise convulsiva inédita em uma criança com febre prolongada e foco infeccioso (rinussinusite), que pode complicar para o SNC. A ausência de sinais meníngeos não exclui meningite em crianças pequenas.
As principais complicações incluem meningite, abscesso cerebral, abscesso epidural, abscesso subdural e trombose do seio cavernoso, que podem se manifestar com crises convulsivas.
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