Crise Convulsiva Febril Complexa: Investigação e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 2 anos, sexo feminino, sem antecedentes relevantes, apresenta quadro de febre de até 39.8 ºC, vômitos e prostração, há dois dias. Hoje estava sonolenta e apresentou episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada com duração de cerca de 10 minutos, sendo levada ao pronto-socorro. Na triagem, paciente apresentou nova crise convulsiva, sendo levada à sala de emergência. Foi solicitado acesso venoso, cuja obtenção foi malsucedida. A: Via aérea pérvia. B: Murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios, boa expansibilidade, FR 43 ipm. C: 2BRNF sem sopros, tempo de enchimento capilar 5 segundos, pulsos finos. D: Sem resposta verbal e ocular, retira o membro ao estímulo doloroso. Pupilas isofotorreagentes. Glicemia capilar 73 mg/dL. E: Nada digno de nota. Com relação ao quadro neurológico apresentado pela paciente, pode-se afirmar: 

Alternativas

  1. A) Não requer investigação específica nessa idade, por ser decorrente de quadro febril.
  2. B) Requer investigação adicional com coleta de líquido cefalorraquidiano. 
  3. C) Deve ser investigado eletroencefalograma.
  4. D) Deve ser investigado apenas se recorrer em quadros infecciosos posteriores. 

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril complexa (duração >15min, focal, recorrente) ou sinais de alerta → investigar infecção SNC (punção lombar).

Resumo-Chave

A paciente apresenta uma crise convulsiva febril complexa (duração prolongada, recorrente no PS, e com sinais de alerta como sonolência e TEC prolongado). Nesses casos, a investigação de infecção do sistema nervoso central (meningite/encefalite) com punção lombar é mandatória, mesmo com glicemia normal.

Contexto Educacional

Crises convulsivas febris são comuns na infância, afetando 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos. A maioria é benigna (crise febril simples), mas uma parcela é classificada como complexa, exigindo investigação mais aprofundada. A distinção é crucial para o manejo e prognóstico. Uma crise febril complexa é definida por duração > 15 minutos, características focais, ou recorrência em 24 horas. A paciente do caso apresenta duração prolongada (10 min e nova crise), sonolência e TEC prolongado (5 seg), que são sinais de alerta para possível infecção do sistema nervoso central (SNC) ou sepse. Nesses casos, a investigação para meningite ou encefalite, incluindo a coleta de líquido cefalorraquidiano (LCR) via punção lombar, é fundamental. A punção lombar é indicada em crianças com crise febril complexa, sinais de alerta para infecção do SNC, ou em lactentes jovens (< 6 meses) devido à dificuldade de identificar sinais meníngeos. O eletroencefalograma (EEG) não é rotineiramente indicado após uma primeira crise febril, mas pode ser considerado se houver suspeita de epilepsia subjacente. O tratamento inicial foca no controle da crise (benzodiazepínicos) e na estabilização do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir uma crise convulsiva febril como complexa?

Uma crise convulsiva febril é considerada complexa se durar mais de 15 minutos, for focal, ou ocorrer mais de uma vez em 24 horas (recorrente).

Quando a punção lombar é indicada em crianças com crise convulsiva febril?

A punção lombar é indicada em crises febris complexas, em crianças com sinais de alerta para infecção do SNC (ex: alteração do nível de consciência, sinais meníngeos, TEC prolongado), ou em lactentes < 6 meses.

Quais são os sinais de alerta que indicam a necessidade de investigação mais aprofundada em uma criança com febre e convulsão?

Sinais de alerta incluem letargia persistente, irritabilidade, abaulamento de fontanela, rigidez de nuca, sinais neurológicos focais, tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão ou choque.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo