Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
Em relação à crise convulsiva febril, assinale a alternativa INCORRETA:
EEG não é rotineiramente indicado para crise convulsiva febril simples; não prediz epilepsia ou recorrência.
O eletroencefalograma (EEG) não é recomendado para o diagnóstico ou prognóstico de crises convulsivas febris simples, pois não ajuda a prever o risco de recorrência ou o desenvolvimento de epilepsia. Sua indicação é restrita a casos atípicos ou suspeita de outra condição neurológica.
A crise convulsiva febril é o distúrbio neurológico mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão associada à febre (temperatura >38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico ou história prévia de convulsão afebril. A compreensão de suas características e manejo é fundamental para pediatras e residentes. Existem dois tipos principais: a crise febril simples (generalizada, <15 min, única em 24h) e a complexa (focal, >15 min, múltipla em 24h ou com paralisia pós-ictal). O diagnóstico é clínico, e a investigação complementar deve ser direcionada. A punção lombar é um ponto crítico, sendo considerada em lactentes jovens para descartar meningite, cujos sinais podem ser atípicos. Em crianças maiores, a PL é indicada se houver sinais de irritação meníngea ou suspeita clínica de infecção do SNC. É crucial ressaltar que o eletroencefalograma (EEG) não é recomendado para a avaliação de rotina de crises convulsivas febris simples. Estudos demonstram que o EEG não prediz o risco de recorrência ou o desenvolvimento de epilepsia futura. Sua realização pode gerar ansiedade desnecessária e custos. O EEG é reservado para casos atípicos, como crises focais prolongadas, ou quando há suspeita de uma condição neurológica subjacente não relacionada à febre.
A crise convulsiva febril simples é generalizada, tônico-clônica, dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em 24 horas e não está associada a infecção do sistema nervoso central. É o tipo mais comum e tem bom prognóstico.
A punção lombar deve ser considerada em lactentes jovens (especialmente menores de 12-18 meses) com crise febril, pois os sinais de meningite podem ser sutis nessa faixa etária. A decisão depende da avaliação clínica e da vacinação contra Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae.
O risco de recorrência pode chegar a 30-50%, especialmente se a primeira crise ocorreu em idade jovem (<12 meses), se houver história familiar de crise febril, se a febre for baixa no início da crise ou se o intervalo entre o início da febre e a crise for curto.
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