Crise Convulsiva Febril: Manejo e Orientação aos Pais

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Manuel, 3 anos de idade, há 2 dias com febre de 39°C (temperatura axilar) associada a rinorreia e tosse. Admitido em Pronto-Socorro com relato de crise tônicoclônica generalizada em vigência de febre com duração de 10 minutos há cerca de 2 horas. Evoluiu com sonolência breve após o episódio, mas agora está ativo, reativo e sem alterações neurológicas. Trata-se do primeiro episódio de crise convulsiva. O pai da criança apresentou quadros semelhantes na infância. Sobre o ocorrido, podemos afirmar que trata-se de:

Alternativas

  1. A) Crise de convulsão febril. Tranquilizar os pais e orientá-los quanto à possibilidade de recorrência em vigência de febre e sinais de alarme.
  2. B) Epilepsia. Prosseguir a investigação com eletroencefalograma e tomografia de crânio, internar paciente para observação por 12 horas.
  3. C) Crise convulsiva febril. Internar, coletar líquor e culturas (urina, sangue e líquor e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
  4. D) Epilepsia. Introduzir profilaxia contínua com fenobarbital. Internar para observação por 12 horas.

Pérola Clínica

Crise convulsiva febril (1º episódio, <15min, generalizada, sem déficit) → tranquilizar pais, orientar recorrência e sinais de alerta.

Resumo-Chave

Este é um caso típico de crise convulsiva febril simples: primeiro episódio, duração <15 minutos, generalizada, com recuperação neurológica completa e história familiar positiva. A conduta principal é a educação dos pais sobre a benignidade do quadro, a possibilidade de recorrência e os sinais de alerta para buscar atendimento médico.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril (CCF) é um evento neurológico comum e geralmente benigno na infância, ocorrendo em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, associado à febre, sem evidência de infecção intracraniana ou causa metabólica. A história familiar de CCF é um fator de risco significativo, como observado no caso de Manuel. É crucial diferenciar a CCF simples da complexa e de outras condições mais graves. Uma CCF simples é caracterizada por ser generalizada, ter duração inferior a 15 minutos e ocorrer apenas uma vez em um período de 24 horas. Após o episódio, a criança geralmente retorna ao seu estado neurológico basal, podendo apresentar apenas uma breve sonolência pós-ictal. O diagnóstico é clínico, e exames complementares extensivos não são indicados rotineiramente na ausência de sinais de alerta para infecção do SNC ou outras patologias. O manejo da CCF simples foca na tranquilização dos pais e na educação. É fundamental explicar a benignidade do quadro, a ausência de sequelas neurológicas a longo prazo e a possibilidade de recorrência (cerca de 30-50% das crianças terão um segundo episódio). Os pais devem ser orientados sobre o controle da febre e, principalmente, sobre os sinais de alarme que justificam a busca por atendimento médico imediato, como convulsões prolongadas, múltiplas convulsões em 24 horas, alteração persistente da consciência ou sinais de infecção do SNC. Não há indicação para profilaxia contínua com anticonvulsivantes.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de uma crise convulsiva febril simples?

Uma crise convulsiva febril simples é um evento generalizado, com duração inferior a 15 minutos, que ocorre apenas uma vez em 24 horas e não está associada a déficits neurológicos persistentes após o episódio. Ela é desencadeada por febre em crianças de 6 meses a 5 anos, sem infecção do SNC ou distúrbio metabólico.

Como os pais devem ser orientados após o primeiro episódio de convulsão febril?

Os pais devem ser tranquilizados sobre a benignidade do quadro e a ausência de sequelas neurológicas a longo prazo. É fundamental orientá-los sobre a possibilidade de recorrência em episódios febris futuros e sobre os sinais de alarme que justificam a busca por atendimento médico imediato, como convulsões prolongadas ou alteração persistente da consciência.

Quais são os sinais de alarme que indicam a necessidade de procurar atendimento médico após uma crise febril?

Sinais de alarme incluem convulsões que duram mais de 5 minutos, múltiplas convulsões em um período de 24 horas, alteração persistente do nível de consciência após a crise, sinais de infecção do sistema nervoso central (rigidez de nuca, fontanela abaulada) ou qualquer comportamento incomum que preocupe os pais.

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