Crise Convulsiva Febril: Manejo Inicial em Lactentes

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021

Enunciado

Lactente de 8 meses de idade, previamente hígida e cartão vacinal básico em dia, trazida ao pronto atendimento pelos pais com início, há 5 minutos, de movimentos nos membros superiores e inferiores, desvio do olhar para cima, e apresentou- se inconsciente. Ao exame físico, criança com crise tônico-clônica generalizada, desvio do olhar e cianose labial. Glicemia capilar: 120 mg/dL, Frequência Cardíaca: 180bpm, Pressão Arterial: 90x60 mmHg, Temperatura Axilar: 38,5°C, Saturação de oxigênio 91% em ar ambiente, perfusão periférica de 3s. Aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular, com bulhas normofonéticas a 2 tempos, sem sopro. Aparelho respiratório: difícil ausculta pulmonar, com roncos bilaterais. Neurológico: sem abaulamentos de fontanela ou sinais meníngeos. Com base no atendimento inicial deste lactente, a melhor conduta seria:

Alternativas

  1. A) Verificar permeabilidade de vias aéreas, ofertar oxigênio, monitorização/oximetria de pulso, compressas frias, administrar antitérmico e benzodiazepínico (diazepam) intramuscular.
  2. B) Verificar permeabilidade de vias aéreas, ofertar oxigênio, monitorização/oximetria de pulso e administrar anticonvulsionante (fenitoína).
  3. C) Verificar permeabilidade de vias aéreas, ofertar oxigênio, monitorização/oximetria de pulso e administrar antitérmico e benzodiazepínico (midazolam)
  4. D) Verificar permeabilidade de vias aéreas, ofertar oxigênio, monitorização/oximetria de pulso e administrar benzodiazepínico (midazolam) e iniciar anticonvulsionante (fenitoína) e solicitar parecer da neuropediatria 

Pérola Clínica

Crise febril em lactente: ABC + Midazolam IV/IM/Bucal + Antitérmico para controle da febre.

Resumo-Chave

O manejo inicial de uma crise convulsiva febril foca na estabilização das vias aéreas e oxigenação, seguida pela interrupção da crise com benzodiazepínicos (midazolam é preferível pela via de administração e início de ação) e controle da febre.

Contexto Educacional

A crise convulsiva febril é a convulsão mais comum na infância, afetando crianças entre 6 meses e 5 anos, com pico de incidência entre 12 e 18 meses. É definida como uma convulsão associada à febre, sem evidência de infecção intracraniana ou causa metabólica, e sem histórico prévio de convulsões afebris. Sua importância clínica reside na necessidade de um manejo agudo eficaz para prevenir complicações e tranquilizar os pais. O diagnóstico é clínico, baseado na ocorrência de uma convulsão em um contexto febril. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema nervoso central em resposta à elevação rápida da temperatura. O manejo inicial é focado na estabilização do paciente, seguindo o ABC (Vias Aéreas, Respiração, Circulação), com oferta de oxigênio e monitorização. A interrupção da crise é feita com benzodiazepínicos, sendo o midazolam uma excelente opção devido à sua eficácia e múltiplas vias de administração. O tratamento inclui a administração de antitérmicos após a crise para controle da febre. O prognóstico da crise convulsiva febril simples é geralmente bom, com baixo risco de epilepsia futura. É fundamental orientar os pais sobre a natureza benigna da condição e as medidas de primeiros socorros.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma crise convulsiva febril em lactentes?

Os sinais incluem movimentos tônico-clônicos generalizados, desvio do olhar, perda de consciência e cianose labial, associados à febre. A duração é geralmente inferior a 15 minutos.

Qual a medicação de primeira linha para interromper uma crise convulsiva febril?

Benzodiazepínicos, como o midazolam (IV, IM ou bucal) ou diazepam (IV ou retal), são as medicações de primeira linha para interromper a crise. O midazolam bucal/intranasal é prático em ambiente pré-hospitalar.

Por que é importante ofertar oxigênio durante uma crise convulsiva?

A oferta de oxigênio é crucial para prevenir hipóxia cerebral e sistêmica, que pode ocorrer devido à apneia ou respiração ineficaz durante a crise. A saturação de oxigênio deve ser monitorizada.

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