HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021
Criança de 2 anos de idade, nascida a termo, parto normal, mãe referiu infecção urinária no segundo trimestre da gestação, ainda se alimenta de seio materno, mas ingere comida para idade. Admitida no PSI após crise convulsiva em vigência de febre de 40ºC. Indique a assertiva que melhor se adequa ao caso:
Crise convulsiva febril (6m-5a) → benigna, foco na febre, antitérmicos não previnem convulsão.
Crises convulsivas febris são eventos benignos e comuns em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, desencadeadas por febre alta. A principal conduta é investigar a causa da febre. É crucial orientar os pais sobre a natureza benigna do quadro e que antitérmicos não previnem a convulsão, mas ajudam no conforto da criança.
A crise convulsiva febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. Ocorre tipicamente entre 6 meses e 5 anos de idade, em vigência de febre (temperatura > 38°C) e na ausência de infecção do sistema nervoso central ou distúrbio metabólico. É considerada um evento benigno, com excelente prognóstico a longo prazo, e não é classificada como epilepsia. A fisiopatologia não é completamente compreendida, mas acredita-se que a rápida elevação da temperatura corporal em um cérebro imaturo e suscetível desempenhe um papel. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. É crucial excluir outras causas de convulsão, como meningite ou encefalite, especialmente em crianças com sinais de alerta (letargia, rigidez de nuca, fontanela abaulada, convulsão focal ou prolongada). O manejo agudo envolve garantir a segurança da criança durante a convulsão. Após o evento, o foco é identificar e tratar a causa da febre. Não há indicação de exames de neuroimagem ou eletroencefalograma de rotina para crises febris simples. A orientação aos pais é fundamental, explicando a natureza benigna do quadro e que antitérmicos não previnem as convulsões, mas podem ser usados para o conforto. Medidas físicas para controle da febre, como compressas frias, também podem ser úteis.
Uma crise convulsiva febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos, não se repete dentro de 24 horas e ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos com febre, sem evidência de infecção do sistema nervoso central ou histórico de convulsões afebris.
Após uma crise convulsiva febril, a conduta inicial é estabilizar a criança, buscar o foco da febre através de exame físico e, se necessário, exames complementares (como hemograma, urinálise). É fundamental tranquilizar os pais e fornecer orientações sobre a benignidade do quadro.
Não, estudos demonstram que o uso de antitérmicos não previne a ocorrência de crises convulsivas febris. Eles são úteis para o conforto da criança e para baixar a temperatura, mas não alteram o limiar convulsivo ou a recorrência das crises.
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