HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
A crise cianótica ou hipoxêmica é uma complicação que pode ocorrer em pacientes portadores de cardiopatia congênita cianótica. No seu tratamento, algumas drogas estão indicadas EXCETO:
Crise cianótica → Morfina, Propranolol, Bicarbonato. Digoxina CONTRAINDICADA: piora espasmo infundibular e shunt D-E.
A crise cianótica em cardiopatias congênitas cianóticas (ex: Tetralogia de Fallot) é uma emergência. O tratamento visa reduzir o espasmo infundibular (Propranolol), diminuir o consumo de oxigênio e a ansiedade (Morfina) e corrigir a acidose metabólica (Bicarbonato). A digoxina é contraindicada, pois pode aumentar a contratilidade do ventrículo direito e agravar a obstrução da via de saída pulmonar, piorando o shunt da direita para a esquerda.
A crise cianótica, também conhecida como crise hipoxêmica ou hipercianótica, é uma complicação grave e potencialmente fatal em pacientes com cardiopatias congênitas cianóticas, sendo mais comum na Tetralogia de Fallot. Caracteriza-se por um aumento súbito e acentuado da cianose, taquipneia e irritabilidade, devido a uma redução crítica do fluxo sanguíneo pulmonar e aumento do shunt da direita para a esquerda. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para prevenir danos neurológicos e óbito. A fisiopatologia envolve um espasmo dinâmico do infundíbulo do ventrículo direito, que aumenta a obstrução da via de saída pulmonar. Isso leva a uma diminuição ainda maior do fluxo sanguíneo para os pulmões e um aumento do fluxo de sangue não oxigenado para a circulação sistêmica. O tratamento visa reverter esse ciclo vicioso: a morfina seda e diminui a taquipneia, o propranolol relaxa o infundíbulo, o bicarbonato corrige a acidose metabólica que piora a vasoconstrição pulmonar, e a manobra de joelho-peito aumenta a resistência vascular sistêmica, diminuindo o shunt. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam cientes das contraindicações no manejo da crise cianótica. A digoxina, apesar de ser um inotrópico, é contraindicada porque seu efeito de aumentar a contratilidade miocárdica pode exacerbar o espasmo infundibular, piorando a obstrução e a cianose. O manejo adequado requer uma compreensão profunda da fisiopatologia e dos efeitos farmacológicos das drogas utilizadas.
Os sinais incluem aumento súbito da cianose, taquipneia, irritabilidade ou letargia, choro inconsolável e, em casos graves, síncope ou convulsões. A saturação de oxigênio cai drasticamente.
A conduta inicial inclui posicionar o joelho no peito (manobra de squatting em crianças maiores), administrar oxigênio suplementar, morfina para sedação, propranolol para reduzir o espasmo infundibular e fluidos intravenosos. Bicarbonato de sódio pode ser usado para corrigir acidose metabólica.
A digoxina é contraindicada porque, ao aumentar a contratilidade miocárdica do ventrículo direito, pode intensificar o espasmo do infundíbulo pulmonar, aumentando a obstrução da via de saída e, consequentemente, o shunt da direita para a esquerda, piorando a cianose.
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