Crise de Cianose na Tetralogia de Fallot: O Que Não Fazer

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Criança de 11 meses, portadora de tetralogia de Fallot, é trazida por pais ao PS, com quadro de choro persistente evoluindo com piora da cianose e sonolência. Ao exame, criança sonolenta, e saturação de 02 em 65% em ar ambiente. Qual das condutas abaixo NÃO deve ser realizada?

Alternativas

  1. A) Oxigenioterapia a 100%
  2. B) Acalmar e sedar criança
  3. C) Administrar morfina
  4. D) Administrar digoxina
  5. E) Administrar propranolol

Pérola Clínica

Crise de cianose em Tetralogia de Fallot → NÃO usar digoxina; priorizar oxigênio, sedação, morfina e propranolol.

Resumo-Chave

A digoxina é um inotrópico e cronotrópico negativo, contraindicada na crise de cianose da Tetralogia de Fallot, pois pode aumentar a obstrução da via de saída do ventrículo direito e agravar o shunt da direita para a esquerda, piorando a hipoxemia. O tratamento visa reduzir o espasmo infundibular e o retorno venoso sistêmico.

Contexto Educacional

A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum, caracterizada por quatro defeitos: comunicação interventricular (CIV), estenose pulmonar (geralmente infundibular), dextroposição da aorta (aorta cavalgando a CIV) e hipertrofia do ventrículo direito. As crises de cianose, também conhecidas como crises hipóxicas ou "tet spells", são emergências pediátricas que podem levar a hipoxemia grave, acidose e até morte. A fisiopatologia da crise de cianose envolve um espasmo agudo do infundíbulo pulmonar, que aumenta a obstrução da via de saída do ventrículo direito. Isso eleva a pressão no ventrículo direito, exacerbando o shunt de sangue desoxigenado para a aorta através da CIV, resultando em cianose intensa e hipoxemia. Fatores como choro, alimentação ou desidratação podem precipitar essas crises. O manejo da crise de cianose é emergencial e visa reverter a hipoxemia. As condutas incluem: posicionamento joelho-tórax (aumenta a resistência vascular sistêmica e o retorno venoso), oxigenioterapia a 100%, sedação (morfina) para acalmar a criança e reduzir o espasmo, e beta-bloqueadores (propranolol) para relaxar o infundíbulo pulmonar. A digoxina, por outro lado, é contraindicada, pois seu efeito inotrópico positivo e cronotrópico negativo pode agravar a obstrução e o shunt, sendo um erro comum a ser evitado.

Perguntas Frequentes

Quais são as condutas iniciais para uma crise de cianose em Tetralogia de Fallot?

As condutas iniciais incluem posicionar a criança em joelho-tórax, administrar oxigênio a 100%, acalmar e sedar (com morfina), e usar beta-bloqueadores como o propranolol para reduzir o espasmo infundibular.

Por que o propranolol é eficaz na crise de cianose?

O propranolol é um beta-bloqueador que atua relaxando o espasmo do infundíbulo pulmonar (músculo subpulmonar), reduzindo a obstrução da via de saída do ventrículo direito e, consequentemente, diminuindo o shunt da direita para a esquerda.

Qual a fisiopatologia da crise de cianose na Tetralogia de Fallot?

A crise de cianose ocorre devido a um aumento súbito e transitório da obstrução da via de saída do ventrículo direito (espasmo infundibular), que leva a um maior shunt de sangue não oxigenado do ventrículo direito para a aorta através da comunicação interventricular, resultando em hipoxemia grave.

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