Crise de Ausência: Achados Típicos no Eletroencefalograma (EEG)

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Há dois meses, um escolar apresenta interrupções bruscas de suas atividades rotineiras, piscando as pálpebras repetidamente, em episódios que duram aproximadamente trinta segundos. Nessas ocasiões, ele fica com o olhar vago e não responde às solicitações.Tendo como referência esse caso clínico, julgue o item abaixo.A descrição esperada para o exame de eletroencefalografia do escolar descrito é a presença de ondas delta lentas, irregulares, de elevada voltagem, períodos breves de poliondas e polipontas-onda, marcada desorganização da atividade basal e elevada amplitude dos potenciais.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Crise de ausência → EEG clássico: complexos espícula-onda generalizados de 3 Hz.

Resumo-Chave

As crises de ausência são caracterizadas por interrupções breves da consciência. No eletroencefalograma (EEG), o achado patognomônico é a presença de complexos espícula-onda generalizados e simétricos, com frequência de 3 Hz, não ondas delta lentas e desorganização basal, que sugerem outras encefalopatias.

Contexto Educacional

As crises de ausência, também conhecidas como 'pequeno mal', são um tipo de crise epiléptica generalizada não motora, comum na infância e adolescência. Caracterizam-se por episódios súbitos e breves de alteração da consciência, com duração de poucos segundos, nos quais o indivíduo parece 'desligar' ou 'ficar com o olhar vago', podendo apresentar automatismos leves como piscar os olhos ou movimentos orais. A compreensão de suas manifestações clínicas e, principalmente, dos achados eletroencefalográficos é crucial para o diagnóstico e manejo adequados, sendo um tópico frequente em provas de residência médica. A fisiopatologia das crises de ausência envolve descargas anormais em redes talamocorticais. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na descrição dos episódios, e confirmado pelo eletroencefalograma (EEG). É fundamental suspeitar de crises de ausência em escolares que apresentam 'desatenção' ou 'sonhos acordados' frequentes. O EEG é a ferramenta diagnóstica definitiva, revelando um padrão muito específico que permite a diferenciação de outros tipos de epilepsia e condições que mimetizam a desatenção. O achado clássico e patognomônico no EEG de uma crise de ausência é a presença de complexos espícula-onda generalizados e simétricos, com uma frequência de 3 Hz. Este padrão é distinto de ondas delta lentas, irregulares ou desorganização da atividade basal, que são típicas de encefalopatias ou outras síndromes epilépticas graves. O tratamento geralmente envolve medicamentos antiepilépticos como etossuximida ou valproato. O prognóstico é geralmente bom, com muitos pacientes atingindo a remissão na adolescência.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas de uma crise de ausência?

As crises de ausência são episódios breves de alteração da consciência, durando segundos, com o paciente apresentando olhar vago, piscadelas repetitivas, movimentos mastigatórios ou automatismos. Há interrupção abrupta da atividade e o paciente não responde a estímulos, retornando ao normal sem confusão pós-ictal.

Qual é o padrão eletroencefalográfico característico da crise de ausência?

O padrão eletroencefalográfico característico da crise de ausência é a presença de complexos espícula-onda generalizados e simétricos, com uma frequência de 3 Hz. Este padrão é patognomônico e pode ser provocado por hiperventilação durante o exame.

Como diferenciar a crise de ausência de outros tipos de crises epilépticas?

A crise de ausência se diferencia pela sua curta duração, ausência de pródromos ou aura, e recuperação imediata sem confusão pós-ictal. O EEG é a ferramenta diagnóstica chave, mostrando o padrão espícula-onda de 3 Hz, distinto dos padrões de outras crises focais ou generalizadas.

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