Crise de Ausência Infantil: Diagnóstico e Tratamento com Etossuximida

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025

Enunciado

Menina de 7 anos de idade apresenta episódios frequentes em que interrompe abruptamente suas atividades, com olhar fixo e vago, sem resposta a estímulos externos. Esses episódios duram cerca de 15 a 20 segundos, ocorrendo várias vezes ao dia, inclusive durante as aulas, o que tem prejudicado seu desempenho na escola. Após os episódios, a criança retorna às suas atividades como se nada tivesse acontecido, sem apresentar confusão pós-ictal ou outras queixas. Durante a consulta médica, foi possível deflagrar uma crise com manobra de hiperventilação, sendo possível notar um leve tremor nas pálpebras durante o evento. O eletroencefalograma demonstrou, sob estímulo de hiperventilação, descargas generalizadas de complexos espícula-onda com frequência de 3 ciclos por segundo. Dentre as medicações a seguir, qual a mais recomendada para o tratamento desta criança?

Alternativas

  1. A) Carbamazepina
  2. B) Etossuximida
  3. C) Fenitoína
  4. D) Gabapenina

Pérola Clínica

Crise de ausência em criança + EEG espícula-onda 3 Hz + hiperventilação → Etossuximida é o tratamento de escolha.

Resumo-Chave

Crises de ausência são epilepsias generalizadas típicas da infância, caracterizadas por breves interrupções da consciência. O EEG com complexos espícula-onda de 3 Hz é patognomônico, e a hiperventilação é uma manobra provocativa comum. A etossuximida é o fármaco de primeira linha para este tipo específico de crise.

Contexto Educacional

As crises de ausência são um tipo de epilepsia generalizada idiopática que afeta predominantemente crianças em idade escolar, com pico de incidência entre 4 e 8 anos. Caracterizam-se por episódios súbitos e breves de alteração da consciência, que podem ser confundidos com desatenção, impactando o desempenho escolar. O reconhecimento precoce é crucial para evitar atrasos no desenvolvimento e garantir um tratamento eficaz. A fisiopatologia envolve disfunção dos circuitos tálamo-corticais, com o EEG revelando um padrão característico de complexos espícula-onda de 3 Hz. Clinicamente, a manobra de hiperventilação pode precipitar as crises, facilitando o diagnóstico. É importante diferenciar de outros tipos de epilepsia, pois o tratamento inadequado pode ser ineficaz ou até piorar o quadro. O tratamento de escolha para crises de ausência é a etossuximida, que atua bloqueando os canais de cálcio tipo T. Outras opções incluem valproato de sódio e lamotrigina. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças respondendo bem à medicação e muitas superando as crises na adolescência. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a resposta ao tratamento e ajustar a dose conforme necessário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas típicos de uma crise de ausência em crianças?

As crises de ausência são caracterizadas por breves episódios de interrupção abrupta da atividade, com olhar fixo e vago, sem resposta a estímulos externos. Podem durar de 5 a 30 segundos, ocorrendo várias vezes ao dia, sem confusão pós-ictal.

Por que a etossuximida é o tratamento de escolha para crises de ausência?

A etossuximida é o fármaco de primeira linha para crises de ausência devido à sua alta eficácia e perfil de segurança favorável para este tipo específico de crise, agindo principalmente nos canais de cálcio tipo T no tálamo, que estão envolvidos na fisiopatologia das crises de ausência.

Como o eletroencefalograma (EEG) auxilia no diagnóstico de crises de ausência?

O EEG é fundamental para o diagnóstico, mostrando descargas generalizadas de complexos espícula-onda com frequência de 3 ciclos por segundo, frequentemente deflagradas ou exacerbadas pela manobra de hiperventilação, que é patognomônica para crises de ausência típicas.

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