PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Criança de oito anos de idade, consulta na UBS com relato de ter iniciado febre baixa, coriza e tosse há dois dias. Nas últimas 24 horas, houve piora com dispneia, ""chieira"" e dor torácica. Nega uso de medicamentos em casa. Relata duas a três crises semelhantes por ano, desde os quatros anos de idade. Nega internações no último ano. No momento, responde às perguntas com frases e prefere ficar sentado e não deitar. Ao exame: FC = 110bpm, FR=25irpm, SatO₂=92% e Pico de Fluxo Expiratório = 60% do valor previsto. À ausculta pulmonar, apresenta sibilos ins e expiratórios difusos, com tempo expiratório prolongado. A conduta terapêutica inicial (""dose de ataque"") MAIS ADEQUADA é prescrever:
Crise asmática moderada/grave em criança: SABA (salbutamol) 4-8 jatos c/ espaçador a cada 20 min por 1h.
O manejo inicial da crise asmática em crianças visa a rápida reversão da broncoconstrição. O uso de beta-2 agonistas de curta duração (SABA) por via inalatória, preferencialmente com espaçador, é a pedra angular do tratamento, com doses repetidas conforme a gravidade e resposta clínica.
A crise asmática pediátrica é uma emergência comum que requer reconhecimento e tratamento rápidos para evitar a progressão para insuficiência respiratória. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, e as crises são caracterizadas por broncoconstrição, edema da mucosa e hipersecreção de muco, levando a dispneia, tosse e sibilos. A avaliação da gravidade da crise é fundamental e baseia-se em parâmetros clínicos (nível de consciência, capacidade de falar, uso de musculatura acessória) e objetivos (frequência respiratória, frequência cardíaca, SatO₂, Pico de Fluxo Expiratório - PFE). Uma SatO₂ de 92% e PFE de 60% do previsto indicam uma crise moderada a grave. O tratamento inicial ("dose de ataque") para crises asmáticas moderadas a graves em crianças consiste na administração de beta-2 agonistas de curta duração (SABA), como o salbutamol, por via inalatória. A via preferencial é o inalador dosimetrado (spray) com espaçador, devido à sua eficácia, segurança e praticidade. A dose recomendada é de 4 a 8 jatos a cada 20 minutos por uma hora, com reavaliação contínua da resposta clínica. O brometo de ipratrópio pode ser associado em crises mais graves, mas o SABA é a primeira linha.
Sinais de gravidade incluem dispneia intensa, fala em frases curtas, agitação, sonolência, cianose, uso de musculatura acessória, SatO₂ < 92% e PFE < 50% do previsto.
O inalador dosimetrado com espaçador é tão eficaz quanto a nebulização para a entrega de broncodilatadores, é mais rápido, portátil, higiênico e reduz o risco de efeitos adversos sistêmicos, sendo a via preferencial em muitos protocolos.
O brometo de ipratrópio, um anticolinérgico, pode ser adicionado ao beta-2 agonista de curta duração em crises asmáticas moderadas a graves, especialmente em pacientes que não respondem bem apenas ao SABA, para potencializar a broncodilatação.
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