Crise Asmática Pediátrica: Manejo e Conduta no PS

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Santarém — Prova 2019

Enunciado

Escolar, 6 anos, asmático, é levado ao pronto socorro com falta de ar, tosse seca e aperto no peito há 1 dia. Ao exame: consciente, responsivo, calmo, dispneia e tiragem intercostal leves, FR 30 irpm, sibilos expiratórios difusos, saturando 96%. Recebeu 3 doses de beta 2 agonista inalado a cada 20 minutos e após 1h mantinha mesma FR, com melhora discreta da ausculta pulmonar e da dispneia, com sat. O₂: 94%. A conduta mais adequada neste caso é:

Alternativas

  1. A) O₂, brometo de ipratropio, corticoide ev e hospitalizar o paciente.
  2. B) O₂, corticoide oral ou ev, manter beta 2 agonista a cada uma hora e reavaliar o paciente.
  3. C) O₂, corticoide oral ou ev, manter beta 2 agonista a cada 20 minutos e reavaliar em uma hora
  4. D) brometo de ipratropio, manter beta 2 agonista a cada duas horas e reavaliar em três horas.
  5. E) corticoide oral ou ev, aumentar intervalos de beta 2 agonistas a cada duas horas e reavaliar o paciente.

Pérola Clínica

Crise asmática pediátrica moderada: O2, beta-2 agonista (20/20min), corticoide sistêmico.

Resumo-Chave

Paciente com crise asmática que não responde completamente a 3 doses de beta-2 agonista em 1 hora ainda necessita de tratamento intensivo. A adição de corticoide sistêmico é fundamental para reduzir a inflamação, e a manutenção do beta-2 agonista em intervalos curtos, junto com oxigenoterapia, otimiza a broncodilatação.

Contexto Educacional

A crise asmática pediátrica é uma das emergências mais comuns na pediatria, exigindo avaliação rápida e tratamento eficaz. A gravidade da crise é classificada com base em parâmetros clínicos como frequência respiratória, uso de musculatura acessória, nível de consciência, presença de sibilos e saturação de oxigênio. O paciente do enunciado apresenta sinais de uma crise moderada, com resposta parcial ao beta-2 agonista inicial. O tratamento inicial de uma crise asmática envolve oxigenoterapia para manter a saturação acima de 92-94%, beta-2 agonistas de curta ação (como salbutamol) inalados em doses repetidas (geralmente a cada 20 minutos por 1 hora), e a administração precoce de corticosteroides sistêmicos (oral ou intravenoso). Os corticoides são fundamentais para reduzir a inflamação subjacente das vias aéreas e prevenir a progressão da crise, embora seu efeito demore algumas horas para se manifestar. A reavaliação contínua do paciente é essencial. Se após a primeira hora de tratamento intensivo (beta-2 agonista a cada 20 minutos e corticoide) o paciente ainda apresentar sintomas significativos ou saturação de oxigênio baixa, a conduta deve ser mantida e intensificada, podendo incluir a adição de brometo de ipratrópio e, em casos mais graves, considerar a internação hospitalar. O objetivo é alcançar a estabilização clínica e evitar a progressão para uma crise grave ou insuficiência respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma crise asmática moderada em crianças?

Uma crise asmática moderada em crianças pode apresentar dispneia ao falar ou chorar, tiragem intercostal leve a moderada, frequência respiratória aumentada, sibilos audíveis e saturação de oxigênio entre 90-95%. A resposta inicial aos broncodilatadores pode ser parcial.

Qual o papel do corticoide sistêmico no tratamento da crise asmática?

O corticoide sistêmico (oral ou intravenoso) é crucial no tratamento da crise asmática, pois atua reduzindo a inflamação das vias aéreas, que é a base da fisiopatologia da asma. Ele previne a progressão da crise, diminui a necessidade de hospitalização e reduz o risco de recaídas.

Quando o brometo de ipratrópio deve ser considerado na crise asmática pediátrica?

O brometo de ipratrópio, um anticolinérgico, é recomendado em crises asmáticas moderadas a graves, em combinação com o beta-2 agonista. Ele promove broncodilatação adicional e pode ser especialmente útil em pacientes que não respondem adequadamente apenas aos beta-2 agonistas.

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