UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2018
Letícia, 7 anos, foi atendida no pronto-socorro devido a crise asmática. São critérios de admissão hospitalar da criança em crise asmática, EXCETO:
Crise asmática pediátrica: sibilos disseminados e piora noturna são comuns, mas não são critérios *isolados* de admissão hospitalar.
Em uma crise asmática pediátrica, sibilos disseminados e piora noturna dos sintomas são achados comuns da doença e não indicam, por si só, a necessidade de internação. Critérios de admissão hospitalar são reservados para sinais de gravidade como uso intenso de musculatura acessória, hipoxemia persistente (SpO2 < 93%), desidratação ou alteração do nível de consciência.
A crise asmática é uma exacerbação aguda dos sintomas de asma, caracterizada por dispneia, tosse, sibilância e opressão torácica, resultante de broncoconstrição, edema de vias aéreas e hipersecreção de muco. Em crianças, a rápida progressão para insuficiência respiratória é uma preocupação, tornando essencial a identificação precoce dos sinais de gravidade e a decisão adequada sobre a admissão hospitalar. A avaliação da gravidade da crise asmática em crianças envolve a observação do esforço respiratório (uso de musculatura acessória, tiragem, batimento de asa nasal), a frequência respiratória, a frequência cardíaca, o nível de consciência e, crucialmente, a saturação de oxigênio. Uma saturação de O2 < 93% em ar ambiente, mesmo após a terapia inicial com broncodilatadores, é um forte indicador de necessidade de internação. Outros critérios incluem alteração do nível de consciência, desidratação, vômitos persistentes e falha na resposta ao tratamento ambulatorial. O manejo hospitalar visa reverter a obstrução das vias aéreas com broncodilatadores (beta-2 agonistas de curta ação), reduzir a inflamação com corticosteroides sistêmicos e corrigir a hipoxemia com oxigenoterapia. A hidratação e o suporte nutricional também são importantes. A alta hospitalar deve ser considerada apenas quando a criança estiver clinicamente estável, com boa saturação de oxigênio, sem desconforto respiratório significativo e com plano de tratamento domiciliar bem estabelecido.
Os sinais de gravidade incluem uso intenso de musculatura acessória, saturação de oxigênio inferior a 93% em ar ambiente após tratamento inicial, alteração do nível de consciência (letargia, agitação), baixa ingestão hídrica com risco de desidratação, e ausência de resposta à terapia broncodilatadora inicial.
Sibilos são um achado comum na asma e a piora noturna é uma característica da doença, refletindo a variação circadiana da função pulmonar. Embora indiquem asma ativa, não são, por si só, indicativos de gravidade suficiente para internação, a menos que acompanhados de outros sinais de falência respiratória ou hipoxemia.
A saturação de oxigênio é um indicador objetivo crucial da gravidade da crise. Uma saturação inferior a 93% em ar ambiente, mesmo após a abordagem terapêutica inicial, sugere hipoxemia significativa e é um forte critério para admissão hospitalar, indicando a necessidade de oxigenoterapia e monitoramento contínuo.
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