FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Benício, 7 anos, busca atendimento na Unidade Básica de Saúde devido à falta de ar. Há 2 dias apresenta tosse noturna e coriza; nas últimas horas houve piora da tosse, sensação de falta de ar e aperto no peito. A mãe refere que realizou 2 puffs de salbutamol 100mg em casa, sem melhora do quadro. Nega sintomas gastrointestinais, urinários ou cutâneos. Nega internações hospitalares prévias. Não faz uso de medicações de uso contínuo, utiliza apenas salbutamol quando tem quadros de falta de ar. Ao exame físico: Peso= 25 kg, alerta, calmo, frequência respiratória: 43ipm, frequência cárdica 115 bpm, saturação de oxigênio 94%. Ausculta torácica com sibilos difusos bilateralmente, batimentos cardíacos normofonéticos e ritmo regular em 02 tempos. Segundo as orientações do GINA (Iniciativa Global contra a Asma) de 2019, qual conduta deve ser adotada?
Crise asmática moderada-grave em criança: salbutamol + corticoide oral (prednisolona).
Benício apresenta sinais de crise asmática moderada (FR 43, Sat 94%, sibilos difusos, sem melhora com salbutamol em casa). A conduta inicial para crises moderadas a graves, segundo GINA, inclui broncodilatador de curta ação e corticoide sistêmico oral precoce.
A crise asmática em crianças é uma emergência comum na prática pediátrica e na atenção primária, exigindo reconhecimento rápido e manejo adequado para prevenir desfechos adversos. As diretrizes da Iniciativa Global para a Asma (GINA) fornecem um guia baseado em evidências para o tratamento, classificando a gravidade da crise e orientando as intervenções farmacológicas. É fundamental para residentes dominar este tema. O caso de Benício ilustra uma crise asmática moderada, caracterizada por sintomas como tosse e falta de ar, sibilos difusos, e saturação de oxigênio entre 90-95%, além de não responder completamente ao salbutamol em casa. A conduta inicial para crises moderadas a graves, segundo GINA 2019, inclui a administração de broncodilatadores de curta ação (como salbutamol) e, crucialmente, corticosteroides sistêmicos orais (como prednisolona) nas primeiras horas para reduzir a inflamação das vias aéreas. A dose de prednisolona para crianças é tipicamente de 1-2 mg/kg/dia (máximo 40-60 mg/dia) por 3-5 dias. A oxigenoterapia é indicada se a saturação for <92%, e a nebulização com brometo de ipratrópio pode ser adicionada em crises mais graves. O monitoramento contínuo da resposta ao tratamento é essencial para ajustar a conduta e evitar a progressão da crise.
A gravidade é avaliada por sintomas (dispneia, tosse), sinais (FR, FC, saturação O2, uso de musculatura acessória, sibilos, nível de consciência) e resposta a broncodilatadores. GINA 2019 detalha critérios para leve, moderada e grave.
A prednisolona é um corticoide sistêmico que age reduzindo a inflamação das vias aéreas, principal componente da asma, prevenindo a piora e acelerando a recuperação, com início de ação em poucas horas.
O salbutamol é um beta-2 agonista de curta ação, broncodilatador de primeira linha. A combinação com brometo de ipratrópio (anticolinérgico) pode ser considerada em crises mais graves, pois oferece broncodilatação aditiva, mas o salbutamol isolado é o inicial.
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