UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2019
Menino de 7 anos é levado ao serviço de urgência, devido à tosse, com falta de ar, sentindo aperto no peito há algumas horas. De antecedente pessoal, é asmático, mas sem acompanhamento regular, fazendo uso de "bombinha" apenas quando está em crise. Ao exame físico: consciente, tranquilo, sibilos expiratórios difusos à ausculta respiratória, com frequência respiratória de 31 respirações por minuto e tiragem intercostal leve, saturando 97% em ar ambiente. Foram feitas três doses de beta 2 agonista inalado a cada 20 minutos, com dose correta para peso, e, após uma hora, mantinha a mesma frequência respiratória, saturando 92% em ar ambiente, com melhora discreta dos sibilos e da dispneia. A conduta mais adequada agora é:
Crise de asma em criança com melhora discreta após beta-2 agonista → Oxigênio, corticoide sistêmico (oral/IV), manter beta-2 agonista.
Em uma crise asmática pediátrica com resposta subótima ao beta-2 agonista inicial, a adição de corticoide sistêmico (oral ou IV) e oxigenoterapia é crucial, mantendo o broncodilatador, antes de considerar internação ou outras terapias.
A crise asmática pediátrica é uma emergência comum que exige manejo rápido e eficaz para prevenir a progressão para insuficiência respiratória. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, e as crises são caracterizadas por broncoespasmo, edema de mucosa e hipersecreção, levando a dispneia, tosse e sibilos. A identificação precoce da gravidade e a intervenção adequada são cruciais. A fisiopatologia da crise envolve a ativação de células inflamatórias e a liberação de mediadores que causam broncoconstrição e inflamação. O diagnóstico é clínico, baseado na história de asma e nos sintomas agudos. Deve-se suspeitar de crise grave em crianças com taquipneia, tiragem, saturação baixa e resposta inadequada à terapia inicial. O tratamento inicial foca na reversão do broncoespasmo com beta-2 agonistas inalados e na redução da inflamação com corticosteroides sistêmicos. A oxigenoterapia é indicada para manter a saturação acima de 92-94%. A reavaliação contínua da resposta é vital para escalar ou desescalar a terapia. Pontos de atenção incluem a dose correta dos medicamentos para o peso da criança e a importância da educação dos pais sobre o plano de ação da asma.
Sinais de gravidade incluem taquipneia, tiragem intercostal, uso de musculatura acessória, cianose, alteração do nível de consciência, saturação de oxigênio abaixo de 92% e ausência de sibilos (tórax silencioso).
O corticoide sistêmico (oral ou intravenoso) atua reduzindo a inflamação das vias aéreas, que é a base da asma. Embora seu efeito não seja imediato, ele previne a piora e reduz a necessidade de hospitalização e recaídas.
O brometo de ipratrópio, um anticolinérgico, é indicado em crises asmáticas moderadas a graves, geralmente em associação com o beta-2 agonista, para potencializar a broncodilatação.
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