PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2020
Carla, 24 anos, asmática, chega ao Pronto Socorro com crise de chiado e intensa falta de ar. Embora ela tenha prescrição médica para usar Budesonida inalatória 400 mcg de 12/12 horas, parou de usar a medicação por conta própria há cerca de 2 meses. Nunca foi internada e sua última crise respiratória foi há 1 ano. Há 7 dias iniciou secreção nasal e retronasal amarelada e febre que persistem até hoje. Ao exame, estava consciente, orientada e com fala normal, T 38ºC, FR 28rpm, FC 92 bpm, PA 120X80 mmHg. Na retro faringe, observava-se secreção amarelada. Apresentava tiragem intercostal e sibilos difusos. As bulhas cardíacas eram rítmicas e sem sopros. Os membros inferiores estavam sem edema, indolores e sem hiperemia da pele. A SpO2 estava em 96%, em ar ambiente e o Peack Flow 59% do valor previsto. A radiogra ia do Torax (PA e per il) estava normal e o hemograma também estava normal. Entre as alternativas abaixo, qual demonstra a conduta inicial CORRETA para tratamento dessa paciente?
Crise asmática moderada → Beta-2 agonista de curta ação (salbutamol/fenoterol) + corticoide sistêmico.
A paciente apresenta uma crise asmática moderada (Peak Flow 59%, SpO2 96%, tiragem intercostal, sibilos difusos). A conduta inicial para crises asmáticas de intensidade moderada a grave é a administração de beta-2 agonistas de curta ação (SABA) em doses repetidas, preferencialmente por inalador dosimetrado com espaçador, e corticosteroides sistêmicos.
O manejo da crise asmática no pronto-socorro é um desafio comum para residentes. A avaliação rápida da gravidade e a instituição de tratamento adequado são cruciais para evitar desfechos adversos. A paciente do caso apresenta uma crise asmática moderada, caracterizada por tiragem intercostal, sibilos difusos e Peak Flow de 59% do previsto. A conduta inicial para crises asmáticas moderadas a graves envolve a administração precoce e repetida de beta-2 agonistas de curta ação (SABA), como salbutamol ou fenoterol, preferencialmente por inalador dosimetrado com espaçador devido à sua eficácia e menor risco de efeitos adversos em comparação com a nebulização contínua. Além disso, a introdução de corticosteroides sistêmicos (prednisolona oral ou metilprednisolona IV) é fundamental para controlar a inflamação subjacente e prevenir a recorrência da crise. É importante monitorar a resposta ao tratamento, reavaliando o paciente após a primeira hora. A ausência de melhora ou piora dos parâmetros clínicos indica a necessidade de intensificar o tratamento, considerar outras causas ou a admissão hospitalar. A aminofilina e a adrenalina subcutânea são terapias de segunda linha, reservadas para casos mais graves ou refratários, e não são a conduta inicial para uma crise moderada.
A gravidade da crise asmática é avaliada por parâmetros como frequência respiratória, frequência cardíaca, uso de musculatura acessória, fala, nível de consciência, saturação de oxigênio e Peak Flow. Um Peak Flow entre 50-80% do previsto indica crise moderada.
Para crises moderadas, a dose de salbutamol spray é de 4 a 10 jatos (100 mcg/jato) com espaçador, ou fenoterol 10 gotas em nebulização, repetindo a cada 20 minutos por 1 hora, ou até melhora.
Corticosteroides sistêmicos (orais ou IV) são indicados para todas as crises asmáticas moderadas a graves, ou naquelas que não respondem rapidamente aos broncodilatadores. Eles atuam reduzindo a inflamação das vias aéreas.
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