Crise Asmática Leve-Moderada: Manejo e Suspeita de COVID-19

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, de 34 anos, com história de asma, consultou na Atenção Primária por quadro de tosse iniciado há 3 dias. Vinha em uso de salbutamol spray oral (2 jatos a cada 4 horas), com discreta melhora. Conseguia manter um diálogo sem interrupção. Ao exame físico, apresentava sibilos difusos, frequência respiratória de 24 mpm, frequência cardíaca de 110 bpm e saturação de oxigênio de 96%. Assinale a alternativa que contempla a(s) conduta(s) mais adequadas para o caso.

Alternativas

  1. A) Encaminhar o paciente imediatamente ao Serviço de Urgência por apresentar possível infecção por covid-19, sintomas graves e fator de mau prognóstico (asma).
  2. B) Instituir tratamento de resgate com β2-agonista (salbutamol) spray oral por 1 hora; revisar a técnica inalatória; iniciar o uso de  corticosteroide e antibiótico por via oral; notificar e solicitar teste RT-PCR para covid-19.
  3. C) Instituir tratamento de resgate com β2-agonista (salbutamol) spray oral por 1 hora; iniciar o uso de corticosteroide por via oral; encaminhar o paciente ao Serviço de Urgência por apresentar possível infecção por covid-19, sintomas graves e fator de mau prognóstico (asma).
  4. D) Instituir tratamento de resgate com β2-agonista (salbutamol) spray oral por 1 hora; revisar a técnica inalatória; notificar e solicitar  teste de RT-PCR para covid-19.

Pérola Clínica

Crise asmática leve-moderada com suspeita de infecção respiratória → β2-agonista, revisar técnica, investigar COVID-19.

Resumo-Chave

O paciente apresenta uma crise asmática leve a moderada (consegue dialogar, SatO2 > 90%, FR < 30, FC < 120). A conduta inicial é otimizar o tratamento de resgate com β2-agonista, revisar a técnica inalatória e, dada a pandemia e os sintomas respiratórios, investigar COVID-19. Não há indicação imediata de internação, corticosteroide oral ou antibiótico sem evidência de infecção bacteriana.

Contexto Educacional

O manejo da crise asmática na atenção primária exige uma avaliação rápida da gravidade e a instituição de medidas terapêuticas adequadas. O paciente em questão apresenta uma crise asmática classificada como leve a moderada, pois consegue manter um diálogo sem interrupção, tem frequência respiratória e cardíaca elevadas, mas não extremas, e saturação de oxigênio aceitável. A resposta discreta ao salbutamol sugere que o tratamento de resgate precisa ser otimizado. A conduta inicial para uma crise asmática leve a moderada envolve a administração de β2-agonistas de curta ação (como o salbutamol) de forma repetida, geralmente a cada 20 minutos por uma hora. É crucial revisar a técnica inalatória do paciente, pois muitos erros na utilização dos dispositivos podem comprometer a eficácia do tratamento. Dada a persistência da pandemia de COVID-19 e os sintomas respiratórios agudos, a investigação para SARS-CoV-2 (com RT-PCR) é uma medida prudente e necessária, especialmente em pacientes com comorbidades respiratórias como a asma. Não há indicação imediata para internação, pois o paciente não apresenta sinais de gravidade que justifiquem um serviço de urgência neste momento. O uso de antibióticos não é recomendado rotineiramente em crises asmáticas, a menos que haja forte evidência de infecção bacteriana concomitante. Corticosteroides orais seriam considerados se a resposta ao broncodilatador fosse insuficiente ou se a crise fosse mais grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar uma crise asmática como leve a moderada?

Uma crise asmática é leve a moderada quando o paciente consegue falar frases completas, apresenta FR < 30 irpm, FC < 120 bpm, SatO2 > 90% (em ar ambiente) e ausência de agitação ou cianose.

Qual a importância da revisão da técnica inalatória no manejo da asma?

A técnica inalatória incorreta é uma causa comum de falha no tratamento da asma. Revisar e corrigir a técnica garante a deposição adequada do medicamento nas vias aéreas, otimizando a resposta terapêutica.

Quando considerar o uso de corticosteroides orais em uma crise asmática?

Corticosteroides orais são indicados em crises asmáticas moderadas a graves, ou em crises leves que não respondem ao tratamento inicial com broncodilatadores, para reduzir a inflamação das vias aéreas.

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