Crise Asmática Grave Pediátrica: Manejo e ATB

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Caso 8 Paciente de 5 anos, sexo masculino, com antecedente de dermatite atópica, rinite alérgica e internações prévias por crises de sibilância, foi admitido no setor de emergência, apresentando quadro de febre de até 39.5 ºC, tosse e dificuldade para respirar há dois dias. Apresenta o seguinte exame clínico inicial:I. regular estado geral, corado, hidratado, alerta, orientado;II. 2 BRNF, sem sopros, FC: 152 bpm, PA: 88x46 mmHg;III. murmúrio vesicular presente, reduzido bilateralmente, com estertores crepitantes em base direita e sibilos difusos, tiragem subdiafragmática, intercostal e de fúrcula, com tempo expiratório prolongado, FR: 42 irpm; saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente, 96% em máscara de Venturi 50%; tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulsos cheios;IV. peso 20 Kg.Realizou o exame radiológico apresentado. Qual é a prescrição inicial mais adequada (itens 1-3) e o antimicrobiano a ser introduzido (item 4)? 

Alternativas

  1. A) 1) Salbutamol 600 mcg, via inalatória, 3x com intervalo de 20 minutos;2) Prednisolona 30 mg, via oral, agora;3) Máscara de Venturi 50%;4) Antimicrobiano: Penicilina Cristalina endovenosa.
  2. B) 1) Salbutamol 200 mcg, via inalatória, 3x com intervalo de 20 minutos;2) Prednisolona 30 mg, via oral, agora;3) Máscara não reinalante de oxigênio;4) Antimicrobiano: Azitromicina endovenosa.
  3. C) 1) Salbutamol 200 mcg, via inalatória, 3x com intervalo de 20 minutos;2) Soro Fisiológico 400 ml, endovenoso, agora;3) Máscara não reinalante de oxigênio;4) Antimicrobiano: Penicilina Cristalina endovenosa.
  4. D) 1) Salbutamol 600 mcg, via inalatória, 3x com intervalo de 20 minutos;2) Soro Fisiológico, 400 ml endovenoso agora;3) Máscara de Venturi 50%;4) Antimicrobiano: Azitromicina endovenosa.

Pérola Clínica

Crise asmática grave + pneumonia: Salbutamol (dose alta), corticoide sistêmico, O2 e ATB (Penicilina) são pilares do tratamento.

Resumo-Chave

Em crianças com crise asmática grave e suspeita de pneumonia bacteriana, a conduta inicial inclui broncodilatadores em doses adequadas, corticosteroides sistêmicos para reduzir inflamação, oxigenoterapia para manter saturação e antibioticoterapia empírica para cobrir patógenos comuns. A hidratação venosa só é indicada se houver sinais de desidratação ou choque.

Contexto Educacional

A crise asmática grave em crianças é uma emergência pediátrica comum, caracterizada por um aumento progressivo da dispneia, tosse, sibilância e tiragem, que não responde à terapia broncodilatadora usual. É crucial reconhecer os sinais de gravidade para instituir um tratamento rápido e eficaz, evitando a progressão para insuficiência respiratória. A epidemiologia mostra que crianças com histórico de atopia, dermatite atópica e rinite alérgica têm maior risco de exacerbações. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. A fisiopatologia envolve broncoconstrição, edema da mucosa e hipersecreção de muco, levando à obstrução das vias aéreas. A suspeita de pneumonia bacteriana concomitante é alta em casos com febre persistente, crepitações localizadas e piora do estado geral, exigindo uma abordagem terapêutica que contemple ambas as condições. A radiografia de tórax pode auxiliar na confirmação da pneumonia. O tratamento inicial da crise asmática grave inclui oxigenoterapia para manter a saturação acima de 92-94%, broncodilatadores de curta ação (salbutamol) em doses repetidas, e corticosteroides sistêmicos (prednisolona oral ou metilprednisolona IV) para reduzir a inflamação. Em caso de suspeita de pneumonia bacteriana, a penicilina cristalina intravenosa é uma escolha empírica adequada para cobrir patógenos comuns como Streptococcus pneumoniae. A hidratação venosa deve ser criteriosa, evitando sobrecarga hídrica em pacientes sem sinais de choque ou desidratação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade em uma crise asmática pediátrica?

Sinais de gravidade incluem taquipneia, taquicardia, tiragem subcostal/intercostal/fúrcula, sibilância intensa ou ausência de sibilos (silêncio torácico), SatO2 < 92% em ar ambiente e alteração do nível de consciência.

Qual a dose inicial de salbutamol para uma criança com crise asmática grave?

A dose de salbutamol para crise asmática grave em crianças é de 0,15 mg/kg (máximo 5 mg) por nebulização, ou 4-10 puffs (100 mcg/puff) com espaçador, repetidos a cada 20 minutos por 1 hora.

Quando considerar antibioticoterapia em uma crise asmática?

A antibioticoterapia deve ser considerada quando há sinais de infecção bacteriana concomitante, como febre alta persistente, infiltrado pulmonar na radiografia, leucocitose com desvio à esquerda, ou piora clínica apesar do tratamento otimizado para asma.

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