HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 6 anos, dá entrada em sala vermelha de unidade de pronto atendimento. Agitada, aparenta estar incomodada. Apresenta dispneia mesmo em repouso, limitando-se a responder o médico com expressões monossilábicas. Nota-se uso importante de musculatura acessória. Sua frequência respiratória é de 48 incursões por minuto, com saturação de 88% em ar ambiente. Sibilância audível em todos os campos pulmonares. A frequência cardíaca é de 125 bpm, com enchimento capilar de 2 segundos e níveis tensionais adequados. Afebril. A mãe relata que a criança é muito “alérgica”, que esteve “gripada nos últimos dias”, mas que nunca apresentou quadro de falta de ar tão intenso. Sobre a abordagem do quadro acima descrito, assinale a alternativa CORRETA.
Crise asmática grave pediátrica → Oxigênio + Beta-agonista + Ipratrópio + Corticoide sistêmico.
Em uma crise asmática grave em criança, a abordagem inicial deve ser agressiva e incluir oxigenoterapia para manter saturação >92-94%, broncodilatadores (beta-agonista de curta ação e brometo de ipratrópio) e corticosteroide sistêmico para reduzir a inflamação.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de crianças globalmente, sendo uma das principais causas de visitas a emergências pediátricas. As crises asmáticas agudas são episódios de piora dos sintomas, como dispneia, sibilância, tosse e aperto no peito, que podem variar de leves a graves e potencialmente fatais. O reconhecimento e manejo rápido da crise asmática grave são cruciais. A fisiopatologia da crise asmática envolve broncoespasmo, edema da mucosa e hipersecreção de muco, todos resultantes de uma resposta inflamatória exacerbada. Em crianças, a gravidade pode ser rapidamente progressiva, exigindo atenção imediata. Sinais de gravidade incluem dispneia em repouso, uso de musculatura acessória, fala interrompida, saturação de oxigênio abaixo de 92-94% e alteração do nível de consciência. A abordagem de uma crise asmática grave em crianças deve ser agressiva e multifacetada. Inclui oxigenoterapia para manter a saturação adequada, broncodilatadores de ação rápida (beta-agonistas como salbutamol) e anticolinérgicos (brometo de ipratrópio) administrados por nebulização ou inalador dosimetrado com espaçador, e corticosteroides sistêmicos (orais ou intravenosos) para combater a inflamação. A monitorização contínua e a reavaliação são essenciais para guiar o tratamento e prevenir a insuficiência respiratória.
Sinais de gravidade incluem dispneia em repouso, uso de musculatura acessória, fala monossilábica, agitação, sibilância audível à distância, saturação de oxigênio baixa (<92-94%) e taquicardia/taquipneia desproporcionais.
A associação de um beta-agonista de curta ação (como salbutamol) com brometo de ipratrópio (anticolinérgico) oferece broncodilatação por diferentes mecanismos, resultando em um efeito sinérgico e mais potente na reversão do broncoespasmo.
O corticosteroide sistêmico deve ser administrado precocemente em todas as crises asmáticas moderadas a graves, preferencialmente nas primeiras horas, para reduzir a inflamação das vias aéreas e prevenir a progressão da crise.
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