Crise Asmática Grave em Crianças: Manejo no PS

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Escolar de 6 anos de idade, portador de asma brônquica, procura o pronto atendimento em virtude de estar apresentando há 3 dias quadro gripal, evoluindo com desconforto respiratório moderado, sem febre, com fala entrecortada, tosse seca frequente, em acessos. Esta sem medicação de manutenção há 30 dias. Ao exame físico: regular estado geral, corado, hidratado, dispneico, anictérico; acianótico; OF; sem alterações; AP: sibilos difusos; FR:52 ipm; SO2: 90% em ar ambiente; batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e subcostal; AC: BCNF RCR 2t, sem sopros, FC: 154 bpm; PA: 100x 60 mmHg Abd: flácido, sem vmg, indolor; Neuro: ecg 15; Pulsos centrais e periféricos cheios, pcp 2 seg; Sem edemas; sem lesões de pele. A melhor conduta terapêutica neste caso é:

Alternativas

  1. A) oxigenioterapia de alto fluxo + B2 endovenoso + corticoide inalatório
  2. B) intubaçao orotraqueal
  3. C) oxigenioterapia alto fluxo + B2 inalatório (uma serie com 3 ciclos a cada 20 minutos) + corticoide sistêmico e reavaliação em 1 hora
  4. D) sulfato de magnésio + ventilação não invasiva
  5. E) B2 endovenoso + cateter nasal de O2

Pérola Clínica

Crise asmática grave em criança (FR↑, SO2↓, tiragem, fala entrecortada) → O2 + B2 inalatório + corticoide sistêmico.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de crise asmática grave (FR 52, SO2 90%, fala entrecortada, tiragem, sibilos difusos, FC 154). A conduta inicial deve focar na oxigenação e broncodilatação rápida com beta-2 agonistas inalatórios, associados a corticoide sistêmico para reduzir a inflamação.

Contexto Educacional

A asma brônquica é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de crianças globalmente, sendo uma das principais causas de visitas ao pronto atendimento e hospitalizações pediátricas. As crises asmáticas são episódios de piora aguda dos sintomas, como tosse, sibilância, dispneia e opressão torácica, que podem variar de leves a graves e potencialmente fatais. O reconhecimento rápido da gravidade e o manejo adequado são cruciais para prevenir desfechos adversos. A fisiopatologia da crise asmática envolve broncoconstrição, edema da mucosa e hipersecreção de muco, resultando em obstrução das vias aéreas. O diagnóstico da gravidade é clínico, baseado na frequência respiratória, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, uso de musculatura acessória, nível de consciência e capacidade de fala. A ausência de sibilância em um paciente com esforço respiratório intenso pode indicar obstrução grave. O tratamento de uma crise asmática grave em crianças segue um protocolo bem estabelecido. Inclui oxigenioterapia para manter a saturação acima de 92-94%, administração de beta-2 agonistas de curta ação inalatórios (como salbutamol) em doses repetidas ou contínuas para promover broncodilatação, e corticoide sistêmico (oral ou intravenoso) para reduzir a inflamação das vias aéreas. Em casos refratários, podem ser considerados sulfato de magnésio intravenoso ou anticolinérgicos inalatórios (brometo de ipratrópio). A reavaliação contínua da resposta ao tratamento é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade em uma crise asmática pediátrica?

Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, uso de musculatura acessória (tiragem), batimento de asa de nariz, fala entrecortada, cianose, saturação de oxigênio abaixo de 92%, e alteração do nível de consciência.

Qual a sequência de tratamento inicial para uma crise asmática grave?

O tratamento inicial envolve oxigenioterapia para manter SO2 > 92%, beta-2 agonistas de curta ação inalatórios (salbutamol) em ciclos repetidos, e corticoide sistêmico (prednisolona oral ou metilprednisolona IV) para reduzir a inflamação.

Quando considerar a intubação orotraqueal em uma crise asmática?

A intubação orotraqueal é considerada em casos de falha do tratamento clínico intensivo, exaustão respiratória, rebaixamento do nível de consciência, ou parada respiratória iminente.

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