USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Menino de 6 anos e 30 kg foi levado ao pronto atendimento devido a quadro de tosse e coriza há 2 dias, que evolulu com dispneia e chiado no peito. Na admissão, estava em regular estado geral, falava frases completas, FR: 28 lpm, FC: 115 bpm, satOx: 93% em ar ambiente, murmúrio vesicular abafado, com sibilos esparsos e retração suboostal leve. Foram realizados 4 jatos de salbutamol com espaçador a cada 20 minutos, 3 vezes. Na reavaliação após, criança apresentava murmúrio vesicular muito abafado, sem sibilos, com retração subcostal e de fúrcula moderadas, saturação de 0z: 88% em ar ambiente, falava palavras isoladas, FR: 36 ipm, FC: 125 bpm. Qual a conduta mais adequada no pronto atendimento, além de fornecer oxigênio?
Crise asmática grave pediátrica refratária a beta-2 agonista → O2 + corticoide EV + sulfato de magnésio EV.
A criança apresenta sinais de crise asmática grave refratária ao tratamento inicial com salbutamol (saturação de 88%, murmúrio vesicular muito abafado, retração moderada, fala palavras isoladas). Nesses casos, além do oxigênio, a conduta mais adequada inclui corticoide endovenoso e sulfato de magnésio endovenoso, que atuam como broncodilatadores e anti-inflamatórios potentes.
A crise asmática grave pediátrica é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento agressivo para prevenir morbidade e mortalidade. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, e as crises são exacerbações agudas caracterizadas por broncoespasmo, edema de mucosa e hipersecreção. A epidemiologia mostra que a asma é uma das doenças crônicas mais comuns na infância. O diagnóstico de gravidade é clínico, baseado em parâmetros como frequência respiratória, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, nível de consciência e presença de retrações e sibilos. A piora do quadro após doses iniciais de beta-2 agonistas, especialmente com queda da saturação e murmúrio vesicular abafado (tórax silencioso), indica uma crise grave ou iminente falência respiratória. A conduta inicial inclui oxigenoterapia para manter saturação >92-94%, beta-2 agonistas de curta ação (salbutamol) e corticoides sistêmicos (oral ou EV). Em crises graves refratárias, a escalada terapêutica envolve a adição de brometo de ipratrópio e, crucialmente, sulfato de magnésio endovenoso, que tem efeito broncodilatador. A intubação e ventilação mecânica são consideradas em casos de falência respiratória iminente.
Sinais de gravidade incluem taquipneia, taquicardia, saturação de oxigênio <92%, uso de musculatura acessória, fala em palavras isoladas, agitação ou sonolência, e tórax silencioso (ausência de sibilos), indicando obstrução grave.
O sulfato de magnésio EV é indicado em crises asmáticas graves ou com risco de vida, especialmente quando há resposta inadequada aos beta-2 agonistas e corticoides, atuando como broncodilatador por relaxamento da musculatura lisa brônquica.
O corticoide reduz a inflamação das vias aéreas. Em crises graves, a via endovenosa é preferível para garantir rápida absorção e início de ação, sendo essencial para reverter a inflamação subjacente e melhorar a resposta aos broncodilatadores.
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