Crise Asmática Grave Pediátrica: Critérios para UTI

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar feminino, 6 anos de idade, com história de Asma Brônquica desde os 2 anos com internações prévias, apenas com atendimento em emergências nas crises, não faz acompanhamento ambulatorial há 1 ano, e, sempre que tosse, usa xarope prednisolona por uma semana e melhora. A mãe refere uso contínuo do xarope, por isso procura apenas a emergência nas crises de asma. Ainda, segundo a mãe, há 4 dias apresenta tosse, com piora à noite, sem melhora com o xarope de uso contínuo e pouca melhora em uso de nebulização com fenoterol. Há dois dias, a criança vem sendo atendida na emergência e recebe alta com inalação e salbutamol VO. Essa é a terceira crise em duas semanas, por esse motivo a busca pela emergência. Ao exame físico, apresenta: Reg taqui- dispneico Fr 43 ipm com perfusão periférica regular e utilização de musculatura acessória com tiragem intercostal, subcostal e de fúrcula. Após inalação de resgate e corticoide endonevoso, com melhora parcial do exame físico (saturação de 92%) em uso de cateter nasal 2l/min., e com base na gasometria arterial (Pco2 = 52). No que se refere a esse caso, qual ou quais critérios encontrados no exame físico, nas histórias clínica e laboratorial reforçam a indicação para internação em UTI pediátrica?

Alternativas

  1. A) Taquidispneia, uso de musculatura acessória e necessidade de corticoide EV no pronto atendimento.
  2. B) Esforço respiratório, procura por atendimento em emergência e uso crônico de corticoide VO.
  3. C) Baixa saturação, tosse emetizante e ausência de seguimento ambulatorial e uso de crônico de corticoide VO.
  4. D) Taquidispneia, uso de musculatura acessória, baixa saturação e negligência materna.
  5. E) Negligência materna, uso crônico de corticoide e inalação com recidiva das crises.

Pérola Clínica

Asma grave pediátrica: taquidispneia, uso de musculatura acessória, hipoxemia e hipercapnia → indicação de UTI.

Resumo-Chave

A indicação de internação em UTI pediátrica para crise asmática grave é baseada em sinais de falência respiratória iminente ou estabelecida, como esforço respiratório intenso (taquidispneia, uso de musculatura acessória), hipoxemia persistente (SatO₂ < 92% mesmo com O₂ suplementar) e hipercapnia (Pco₂ > 45-50 mmHg), além de fatores de risco como histórico de internações em UTI.

Contexto Educacional

A asma brônquica é uma doença crônica comum na infância, e as crises asmáticas agudas representam uma das principais causas de atendimento de emergência e internação pediátrica. A avaliação da gravidade da crise é crucial para determinar a conduta e a necessidade de internação, especialmente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. Fatores como história de internações prévias, falta de acompanhamento ambulatorial e uso crônico inadequado de corticoides orais indicam um controle deficiente da doença e maior risco de desfechos adversos. Os critérios para internação em UTI pediátrica em casos de crise asmática grave incluem sinais de esforço respiratório intenso (taquidispneia, uso de musculatura acessória como tiragem intercostal, subcostal e de fúrcula), hipoxemia persistente (saturação de oxigênio abaixo de 92% mesmo com oxigenoterapia suplementar), e, de forma crítica, a presença de hipercapnia (Pco₂ > 45-50 mmHg). A hipercapnia indica fadiga muscular respiratória e ventilação alveolar inadequada, sinalizando falência respiratória iminente. Além dos achados clínicos e laboratoriais, o contexto social e a adesão ao tratamento são fatores importantes. A "negligência materna" ou, mais precisamente, a falta de adesão ao plano de tratamento e acompanhamento ambulatorial, contribui para a recorrência e gravidade das crises. O manejo em UTI visa otimizar a oxigenação, reduzir o trabalho respiratório e reverter o broncoespasmo, frequentemente com broncodilatadores inalatórios contínuos, corticoides sistêmicos e, se necessário, suporte ventilatório.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade em uma crise asmática pediátrica?

Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, uso de musculatura acessória (tiragem intercostal, subcostal, fúrcula), sibilância intensa ou ausência de murmúrio vesicular, alteração do nível de consciência, cianose, hipoxemia e hipercapnia.

Por que a hipercapnia (Pco₂ elevada) é um sinal de alerta na asma?

A hipercapnia (Pco₂ > 45-50 mmHg) indica fadiga muscular respiratória e ventilação alveolar inadequada, sendo um sinal de falência respiratória iminente e forte indicativo de necessidade de suporte ventilatório e internação em UTI.

Qual o papel do histórico de uso crônico de corticoides orais na avaliação da asma?

O uso crônico de corticoides orais, especialmente sem acompanhamento, sugere asma de difícil controle ou manejo inadequado, aumentando o risco de crises graves e a necessidade de internação, além de possíveis efeitos adversos.

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