Crise Asmática Grave Pediátrica: Manejo na UTI

HMAR - Hospital Memorial Arthur Ramos (AL) — Prova 2017

Enunciado

Menino de 7 anos dá entrada na emergência pediátrica em crise asmática, apresentando FC = 136 bpm, frequência respiratória de 36 ipm, saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente, fala entrecortada, ansioso, com tiragem intercostal e retração de fúrcula. Foi colocado em máscara com reservatório não reinalante, iniciadas nebulizações com beta 2 agonista e ministrada dose de corticoide endovenoso. Posteriormente, foi encaminhado para a UTI pediátrica. Nesse caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS adequada para a condução do paciente.

Alternativas

  1. A) Sedação com midazolan, cetamina e rocurônio e realizar intubação traqueal, pois ele está em franca insuficiência respiratória.
  2. B) Manter nebulizações com beta 2 agonista e realizar radiografia de tórax.
  3. C) Administrar sedação leve e Iniciar bipap e beta 2 agonista por via endovenosa.
  4. D) Instalar ventilação mecânica não invasiva sem sedação, para não induzir depressão respiratória.

Pérola Clínica

Crise asmática grave: VMNI (BiPAP), beta-2 EV, corticoide, MgSO4. Intubação = último recurso.

Resumo-Chave

Em crise asmática grave com sinais de insuficiência respiratória e falha ao tratamento inicial, a ventilação mecânica não invasiva (BiPAP) é uma conduta apropriada para dar suporte ventilatório e reduzir o trabalho respiratório. A sedação leve pode ser necessária para tolerância ao BiPAP, e a via endovenosa para beta-2 agonistas é indicada quando a via inalatória é ineficaz ou insuficiente.

Contexto Educacional

A crise asmática grave em pediatria é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e intervenção agressiva para prevenir a insuficiência respiratória e suas complicações. O paciente descrito apresenta sinais claros de gravidade, como taquipneia, taquicardia, hipoxemia (saturação de 86%), fala entrecortada e uso de musculatura acessória, indicando falha do tratamento inicial e necessidade de intensificação da terapia. A conduta na UTI pediátrica para uma crise asmática grave refratária inclui a manutenção de oxigenoterapia, corticoide sistêmico e broncodilatadores. Nesses casos, a ventilação mecânica não invasiva (VMNI), como o BiPAP, é uma estratégia eficaz para reduzir o trabalho respiratório, melhorar a ventilação e a oxigenação, e evitar a intubação. A sedação leve pode ser necessária para garantir a tolerância do paciente ao BiPAP. Além disso, a administração de beta-2 agonistas por via endovenosa deve ser considerada quando a via inalatória é insuficiente ou ineficaz devido à broncoconstrição severa. A intubação traqueal e a ventilação mecânica invasiva são medidas de resgate para casos de falha da VMNI ou exaustão respiratória iminente, sendo associadas a maiores riscos de complicações em pacientes asmáticos. Portanto, esgotar as opções não invasivas e farmacológicas intensivas é crucial antes de progredir para a intubação. O sulfato de magnésio endovenoso também é uma opção terapêutica para broncodilatação em crises graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade em uma crise asmática pediátrica?

Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, bradicardia, saturação de oxigênio < 90% em ar ambiente, fala entrecortada, agitação ou letargia, tiragem intercostal e retração de fúrcula, e ausculta pulmonar com silêncio ou sibilos muito reduzidos.

Quando considerar a ventilação mecânica não invasiva (VMNI) em crise asmática?

A VMNI, como o BiPAP, é indicada em pacientes com crise asmática grave que não respondem ao tratamento farmacológico inicial, apresentando sinais de fadiga respiratória iminente, acidose respiratória ou hipoxemia persistente, antes de considerar a intubação.

Por que o beta-2 agonista endovenoso pode ser usado em crise asmática grave?

A via endovenosa de beta-2 agonistas (como o salbutamol) é reservada para casos de asma grave refratária ao tratamento inalatório, quando a broncoconstrição é tão intensa que impede a chegada eficaz da medicação às vias aéreas inferiores.

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