Crise Asmática Grave e Insuficiência Respiratória na Pediatria

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2019

Enunciado

Criança de 5 anos de idade dá entrada no PS com quadro de dispneia e agitação. No exame físico, apresenta face angustiada, sudoreica, cianótica, temperatura de 37,9 °C, FR de 45 irpm, FC de 144 bpm, extremidades frias, com acentuadas tiragens intercostais, diafragmática e retração da fúrcula esternal. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular diminuído, sem sibilos, SPO₂ 88%. A gasometria em ar ambiente apresentou os seguintes resultados: pH 7,30; PaO₂ 58 mmHg; PCO₂ 55 mmHg; Bicarbonato 18 mEq/L. Qual é a condição clínica mais provável?

Alternativas

  1. A) Crise asmática grave com insuficiência respiratória.
  2. B) Aspiração de corpo estranho.
  3. C) Pneumonia bilateral extensa com insuficiência respiratória.
  4. D) Epiglotite com insuficiência respiratória.

Pérola Clínica

Asma + Murmúrio ↓ + PaCO2 ↑ = Insuficiência Respiratória Iminente (Tórax Silencioso).

Resumo-Chave

A presença de hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg) em uma crise asmática grave é um sinal de alarme crítico, indicando fadiga da musculatura respiratória e falência iminente.

Contexto Educacional

A asma é a doença crônica mais comum na infância e suas exacerbações graves são emergências médicas. O caso clínico descreve uma criança com sinais clássicos de gravidade: cianose, agitação (hipóxia cerebral), tiragens universais e, crucialmente, o 'murmúrio vesicular diminuído sem sibilos', caracterizando o tórax silencioso. A gasometria confirma a gravidade com hipoxemia (PaO2 58) e acidose respiratória (pH 7,30 e PaCO2 55). Em um paciente asmático, a retenção de CO2 é um marcador tardio e perigoso de exaustão. O diagnóstico diferencial inclui corpo estranho (geralmente início súbito e localizado) e epiglotite (estridor e febre alta), mas o quadro de dispneia grave com acidose respiratória em uma criança com sinais de obstrução difusa aponta diretamente para a crise asmática com insuficiência respiratória.

Perguntas Frequentes

O que significa a PaCO2 elevada na crise asmática?

Durante uma crise asmática inicial, a resposta fisiológica é a taquipneia, que gera hipocapnia (PaCO2 baixa) por lavagem de CO2. Quando a PaCO2 começa a normalizar ou subir (especialmente acima de 45-50 mmHg) em um paciente com esforço respiratório intenso, isso indica que a musculatura está fadigada e o paciente não consegue mais manter a ventilação alveolar. É um sinal de insuficiência respiratória iminente e frequentemente indica a necessidade de suporte ventilatório invasivo ou não invasivo imediato.

Como identificar o 'tórax silencioso' no exame físico?

O tórax silencioso ocorre quando a obstrução brônquica é tão severa que o fluxo de ar é insuficiente para gerar sibilos. Ao auscultar o paciente, nota-se um murmúrio vesicular muito diminuído ou ausente, apesar do esforço respiratório visível (tiragens e uso de musculatura acessória). É um sinal de extrema gravidade, indicando que o paciente está em risco iminente de parada respiratória.

Qual a conduta imediata na crise asmática com insuficiência respiratória?

A conduta envolve oxigenioterapia para manter SpO2 > 92-94%, broncodilatadores de curta ação (SABA) em altas doses (frequentemente contínuos), corticoide sistêmico precoce e sulfato de magnésio endovenoso. Se houver sinais de falência (alteração do nível de consciência, hipercapnia progressiva, exaustão), deve-se preparar para ventilação mecânica, preferencialmente em ambiente de UTI, utilizando estratégias para evitar o aprisionamento aéreo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo