USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Paciente de 4 anos portadora de asma, chegou ao Pronto Socorro com tosse produtiva, dispneia e sibilância há 4 horas. Ao exame físico: Temperatura axilar 38ºC; FR 40 irpm; FC 120 bpm; SaO2 92%; tiragens intercostais e de fúrcula, sibilos ins e expiratórios e estertores subcrepitantes. Foi administrado salbutamol (100 mcg/jato) – 4 jatos, com espaçador e máscara. Vinte minutos após, não houve melhora dos parâmetros clínicos. Qual é a melhor conduta?
Crise asmática grave em criança sem melhora pós-salbutamol → Corticoide sistêmico + Salbutamol repetido + Ipratrópio.
Em uma crise asmática grave em criança que não responde à dose inicial de broncodilatador de curta ação (salbutamol), a conduta imediata envolve a intensificação do tratamento. Isso inclui a administração de corticosteroides sistêmicos (prednisolona oral), a repetição das inalações de salbutamol e a associação com brometo de ipratrópio para um efeito broncodilatador sinérgico e mais potente.
As crises asmáticas são exacerbações agudas dos sintomas de asma, caracterizadas por broncoespasmo, inflamação e hipersecreção de muco. Em crianças, a identificação e o manejo rápido de crises graves são cruciais para prevenir complicações respiratórias e internações. A avaliação da gravidade é feita por parâmetros clínicos como frequência respiratória, cardíaca, saturação de oxigênio, presença de tiragens e nível de consciência. Uma crise é considerada grave quando há sinais de desconforto respiratório significativo e/ou baixa saturação de oxigênio. O tratamento inicial de uma crise asmática envolve a administração de broncodilatadores de curta ação, como o salbutamol, por via inalatória. No entanto, se não houver melhora significativa dos parâmetros clínicos após a dose inicial, a crise é considerada refratária e exige intensificação terapêutica. A fisiopatologia da asma envolve tanto broncoespasmo quanto inflamação das vias aéreas, o que justifica a necessidade de abordagens que atuem em ambos os mecanismos. A conduta para uma crise grave que não responde ao salbutamol inclui a introdução de corticosteroides sistêmicos (como a prednisolona oral), que atuam na redução da inflamação, e a repetição das doses de salbutamol, associando-o ao brometo de ipratrópio. O ipratrópio, um anticolinérgico, promove broncodilatação adicional e tem um efeito sinérgico com os beta-2 agonistas. A oxigenoterapia é fundamental para manter a saturação acima de 92-94%. O sulfato de magnésio endovenoso pode ser considerado em crises muito graves e refratárias, mas não é a primeira linha após a falha do broncodilatador inicial.
Sinais de crise asmática grave em crianças incluem taquipneia, taquicardia, saturação de oxigênio abaixo de 92-94%, uso de musculatura acessória (tiragens intercostais, de fúrcula), sibilância intensa ou ausência de sibilos (tórax silencioso), dificuldade para falar e agitação ou letargia.
Após a falha da dose inicial de salbutamol, a conduta deve ser intensificada com a administração de corticosteroides sistêmicos (ex: prednisolona oral), repetição das inalações de salbutamol a cada 20 minutos e associação com brometo de ipratrópio, que potencializa a broncodilatação.
O brometo de ipratrópio é um anticolinérgico que atua de forma sinérgica com o salbutamol (beta-2 agonista), promovendo uma broncodilatação mais potente e duradoura. Essa associação é particularmente eficaz em crises asmáticas moderadas a graves, melhorando a resposta ao tratamento.
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