Crise Asmática Grave: Critérios de Internação em UTI

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 23 anos de idade com antecedente de asma não controlada procura Pronto Atendimento por sintomas de dispneia, tosse, chiado no peito e opressão torácica iniciados há 4 dias após interrupção por conta própria das medicações de uso continuo (Salmeterol + Fluticasona, 50 + 250mcg). O exame clínico de entrada revela frequência cardíaca de 110bpm, frequência respiratória de 36ipm, saturação de oxigênio de 98% e ausculta pulmonar com sibilos inspiratórios e expiratórios. Optado pela equipe médica em realizar corticoterapia endovenosa e inalação com salbutamol. Em reavaliação após 1 hora o paciente refere melhora importante da dispneia e o exame físico revela frequência cardíaca de 90ipm, frequência respiratória de 22ipm, ausculta pulmonar com sibilos expiratórios. Ainda não é capaz de falar frases completas. Qual alternativa melhor contempla o manejo desse paciente?

Alternativas

  1. A) Internação em leito de enfermaria.
  2. B) Manter em Pronto-Socorro e reavaliação após 4 horas.
  3. C) Internação em UTI.
  4. D) Alta hospitalar com retorno ambulatorial no dia seguinte.
  5. E) Alta hospitalar com retorno ambulatorial na semana seguinte.

Pérola Clínica

Crise asmática: incapacidade de falar frases completas, mesmo com melhora parcial de outros parâmetros, indica gravidade → internação em UTI.

Resumo-Chave

A incapacidade de falar frases completas em um paciente com crise asmática é um sinal de obstrução grave das vias aéreas e fadiga respiratória iminente, mesmo que outros parâmetros como frequência cardíaca e respiratória tenham melhorado. Este é um critério de gravidade que demanda monitoramento intensivo em UTI.

Contexto Educacional

A exacerbação da asma, ou crise asmática, é um evento agudo ou subagudo de piora progressiva dos sintomas de asma, como dispneia, tosse, chiado no peito e opressão torácica, acompanhada de diminuição da função pulmonar. Pacientes com asma não controlada ou que interrompem a medicação de manutenção estão em maior risco. O manejo inicial em pronto-atendimento visa aliviar a obstrução das vias aéreas e a inflamação. O tratamento inicial de uma crise asmática geralmente envolve a administração de oxigênio, broncodilatadores de curta ação (como salbutamol) e corticosteroides sistêmicos. A avaliação da resposta ao tratamento é contínua e baseia-se em parâmetros clínicos e, se possível, funcionais (como o pico de fluxo expiratório). Sinais de gravidade incluem taquipneia, taquicardia, uso de musculatura acessória, saturação de oxigênio baixa e, crucialmente, a incapacidade de falar frases completas. No caso apresentado, apesar da melhora de alguns parâmetros após o tratamento inicial, a persistência da incapacidade de falar frases completas é um sinal inequívoco de obstrução grave e risco de fadiga respiratória. Este achado, mesmo com melhora da frequência cardíaca e respiratória, indica que o paciente ainda está em uma situação de alto risco e necessita de monitoramento intensivo. Portanto, a internação em UTI é a conduta mais apropriada para garantir suporte ventilatório se necessário e manejo agressivo da crise, prevenindo desfechos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade em uma crise asmática?

Os sinais de gravidade incluem dispneia intensa, incapacidade de falar frases completas, agitação, sonolência, cianose, uso de musculatura acessória, frequência respiratória > 30 ipm, frequência cardíaca > 120 bpm, saturação de oxigênio < 90% e silêncio auscultatório. A presença de sibilos expiratórios persistentes também indica obstrução.

Quando a internação em UTI é indicada para pacientes com crise asmática?

A internação em UTI é indicada para pacientes com crise asmática grave que não respondem ao tratamento inicial, apresentam sinais de fadiga respiratória iminente (como incapacidade de falar frases completas, rebaixamento do nível de consciência), hipoxemia persistente apesar do oxigênio, ou hipercapnia. A deterioração clínica rápida também é um critério.

Qual a conduta inicial para uma exacerbação de asma?

A conduta inicial envolve a administração de oxigênio para manter a saturação > 92-95%, broncodilatadores de curta ação (salbutamol) por inalação ou nebulização, e corticosteroides sistêmicos (oral ou endovenoso). A reavaliação frequente da resposta ao tratamento é crucial para ajustar a terapia e determinar a necessidade de internação ou intensificação do cuidado.

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