Crise Asmática Grave: Diagnóstico e Tratamento Essencial

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Maria Luiza, 28 anos, histórico de asma desde a infância, comparece ao pronto-socorro com dispneia há 2 dias, piorando progressivamente. Relata uso de salbutamol inalatório nas últimas 24 horas, com alívio parcial. Refere também tosse seca e chiado no peito, além de acordar várias vezes à noite por falta de ar. No exame físico, apresenta-se em leve esforço respiratório, com frequência respiratória de 26 ipm, saturação de oxigênio de 89-91% em ar ambiente, frequência cardíaca de 110 bpm e sibilos difusos à ausculta pulmonar. O Peak Flów (fluxo expiratório máxlmo) está em 40% do valor previsto. Rełata que costuma usar corticosteróide inalatório em baixas doses, mas esqueceu de utilizar nas ultimas semanas.Com base no caso apresentado, qual das seguintes opçôes está correta em relação ao diagnóstico e tratamento da paciente?

Alternativas

  1. A) O uso de corticosteroide sistêmico está indicado neste caso devido à gravidade da exacerbação.
  2. B) A realização de gasometria arterial é obrigatória para o diagnóstico da gravidade da crise asmática.
  3. C) Deve ser iniciada antibioticoterapia, devido a suspeita de crise desencadeada por broncoinfecção.
  4. D) A paciente apresenta uma crise asmática leve e pode ser tratada com salbutamol isolado por via inalatórla.
  5. E) O uso de oxigênio suplementar é desnecessário, devendo ser priorlzados broncodilatadores inalatórios, evitando psìcodependência.

Pérola Clínica

SatO2 < 92%, Peak Flow < 50% do previsto, dispneia noturna → Crise asmática grave = Corticosteroide sistêmico + O2 + broncodilatador.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios de gravidade para crise asmática (SatO2 < 92%, Peak Flow 40% do previsto, dispneia noturna), indicando a necessidade de tratamento intensivo com corticosteroide sistêmico, oxigênio suplementar e broncodilatadores.

Contexto Educacional

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução reversível do fluxo aéreo. As exacerbações agudas, ou crises asmáticas, são episódios de piora progressiva da dispneia, tosse, sibilância e aperto no peito. É fundamental para residentes saber classificar a gravidade da crise para instituir o tratamento adequado e prevenir desfechos adversos. A fisiopatologia da crise asmática envolve broncoconstrição, edema da mucosa e hipersecreção de muco, resultando em obstrução das vias aéreas. O diagnóstico da gravidade é clínico, complementado por medidas objetivas como Peak Flow e oximetria de pulso. Uma SatO2 < 92% em ar ambiente, Peak Flow < 50% do previsto e sintomas noturnos ou persistentes após broncodilatador indicam uma crise moderada a grave. O tratamento de uma crise asmática grave no pronto-socorro inclui oxigênio suplementar para manter SatO2 > 92-95%, broncodilatadores de curta ação (agonistas beta-2, como salbutamol) administrados de forma contínua ou intermitente, e corticosteroides sistêmicos (prednisolona oral ou metilprednisolona IV) para reduzir a inflamação. A antibioticoterapia não é rotineiramente indicada, a menos que haja evidência clara de infecção bacteriana. A gasometria arterial é reservada para casos de crise muito grave com suspeita de falência respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de gravidade para uma crise asmática?

Critérios incluem dispneia intensa, fala em frases curtas, frequência respiratória > 30 ipm, frequência cardíaca > 120 bpm, SatO2 < 92% em ar ambiente, Peak Flow < 50% do previsto e uso de musculatura acessória.

Por que o corticosteroide sistêmico é indicado em crises asmáticas graves?

O corticosteroide sistêmico atua reduzindo a inflamação das vias aéreas, que é a base da fisiopatologia da asma, e é essencial para reverter a obstrução brônquica e prevenir a progressão da crise.

Quando a gasometria arterial é obrigatória em uma crise asmática?

A gasometria arterial é indicada em crises asmáticas muito graves, com sinais de fadiga muscular respiratória, confusão mental, ou quando há suspeita de hipercapnia (retenção de CO2), que indica falência respiratória iminente.

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