Crise Asmática Grave em Crianças: Manejo Essencial

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

Em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), é atendida criança de nove anos, sexo feminino, sabidamente asmática, que apresenta crise aguda grave de sibilância associada a tosse, coriza nasal e odinofagia. Ao exame clinico são encontrados: febre (38.5°C), saturação de oxigênio em ar ambiente de 89%. frequência respiratória aumentada, sibilos expiratórios difusos em ambos hemitórax e uso de musculatura acessória. Foi realizado o tratamento inicial da crise com oxigenioterapia por cânula nasal (2L/min) e broncodilatador em aerossol com espaçador, cinco jatos a cada 20 minutos, durante uma hora. A paciente obteve resposta parcial, mantendo ainda sibilos expiratórios esparsos e uso de musculatura acessória, com saturação de oxigênio de 93% com oxigenioterapia (2L/min). Considerando o caso neste momento, qual das seguintes medicações deve ser incluída imediatamente à prescrição da paciente?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia para Gram positivo por via venosa
  2. B) Broncodilatador de longa duração, dois jatos, com espaçador
  3. C) Corticoide por via oral (prednisona) 1 a 2mg/kg de peso
  4. D) Epinefrina (adrenalina) por via intramuscular, dose única

Pérola Clínica

Crise asmática grave com resposta parcial ao BD → Corticoide sistêmico oral (prednisona) é a próxima etapa.

Resumo-Chave

Em uma crise asmática grave em criança, mesmo com resposta parcial ao broncodilatador e melhora da saturação, a persistência de sibilos e uso de musculatura acessória indica inflamação significativa. A inclusão imediata de um corticosteroide sistêmico (oral ou IV) é crucial para reduzir a inflamação e prevenir a progressão da crise.

Contexto Educacional

O manejo da crise asmática aguda em crianças é uma habilidade essencial para qualquer médico, especialmente aqueles que atuam em pronto atendimento. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, e as crises são exacerbações agudas dessa inflamação, desencadeadas por diversos fatores. A identificação precoce da gravidade e a intervenção adequada são cruciais para evitar desfechos desfavoráveis. O tratamento inicial de uma crise asmática envolve a administração de oxigenioterapia para manter a saturação acima de 92-94% e broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas) por via inalatória, preferencialmente com espaçador. No entanto, em crises moderadas a graves, ou naquelas com resposta parcial aos broncodilatadores, a inflamação subjacente requer uma abordagem mais robusta. É nesse ponto que os corticosteroides sistêmicos, como a prednisona oral, se tornam indispensáveis. Os corticosteroides sistêmicos atuam reduzindo a inflamação e o edema das vias aéreas, melhorando a função pulmonar e diminuindo a probabilidade de hospitalização e recaídas. A sua administração deve ser precoce e em dose adequada. É um erro comum atrasar ou omitir o corticoide, esperando uma resposta completa apenas com broncodilatadores. A compreensão da fisiopatologia da asma e a aplicação de protocolos de tratamento baseados em evidências são fundamentais para garantir o melhor cuidado ao paciente pediátrico com crise asmática.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade em uma crise asmática pediátrica?

Sinais de gravidade incluem saturação de oxigênio abaixo de 92% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, tiragem intercostal, batimento de asa de nariz, cianose, dificuldade para falar ou alimentar-se, e alteração do nível de consciência. A presença de sibilos expiratórios difusos e taquipneia também são indicativos.

Quando o corticosteroide sistêmico deve ser administrado em uma crise asmática?

O corticosteroide sistêmico deve ser administrado precocemente em crises asmáticas moderadas a graves, idealmente dentro da primeira hora de atendimento, mesmo que haja resposta inicial aos broncodilatadores. Ele age reduzindo a inflamação das vias aéreas, que é a base da crise.

Qual a dose recomendada de prednisona para crise asmática em crianças?

A dose recomendada de prednisona oral para crise asmática em crianças é geralmente de 1 a 2 mg/kg de peso, com dose máxima de 60 mg/dia, por um período de 3 a 5 dias. A via oral é preferível à intravenosa se a criança conseguir deglutir.

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