Manejo da Crise de Asma na Emergência Pediátrica

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um escolar de 9 anos é levado à emergência com tosse seca, taquidispneia moderada, tiragens intercostais, acianótico em ar ambiente e com sibilos difusos à ausculta pulmonar. Esse paciente deve ser medicado com:

Alternativas

  1. A) Dropropizina xarope.
  2. B) Nebulização com acetilcisteína.
  3. C) Ambroxol xarope.
  4. D) Salbutamol spray utilizado com espaçador.
  5. E) Nebulização com brometo de ipratrópio.

Pérola Clínica

Crise de asma leve/moderada → Salbutamol spray + espaçador é superior à nebulização.

Resumo-Chave

O uso de spray (MDI) com espaçador é a via preferencial para broncodilatadores na crise asmática pediátrica, oferecendo eficácia equivalente à nebulização com menos efeitos colaterais e maior rapidez.

Contexto Educacional

O manejo da crise asmática na infância foca na reversão rápida da obstrução brônquica e na redução da inflamação. O paciente de 9 anos apresenta sinais clássicos de exacerbação: tosse, taquidispneia e sibilos. A ausência de cianose sugere que não há hipoxemia grave imediata, classificando a crise como moderada. O tratamento de escolha é o beta-2 agonista de curta duração (Salbutamol). A via inalatória por spray com espaçador é a recomendação atual de nível A de evidência. Medicamentos como dropropizina, ambroxol ou acetilcisteína não têm papel no tratamento da asma e podem, inclusive, piorar o quadro por irritação das vias aéreas ou aumento do volume de secreção em uma via já obstruída.

Perguntas Frequentes

Por que preferir o spray com espaçador em vez da nebulização?

Estudos e diretrizes internacionais (como o GINA) demonstram que o uso do inalador de dose medida (MDI ou 'bombinha') acoplado a um espaçador valvulado é tão eficaz quanto a nebulização tradicional no tratamento da crise asmática leve a moderada. As vantagens do spray incluem: maior deposição pulmonar da droga, menor tempo de administração, menor risco de contaminação ambiental (importante em infecções virais), menor custo e, crucialmente, menos efeitos colaterais sistêmicos, como taquicardia e tremores, pois a dose administrada é mais precisa e eficiente.

Qual a dose de salbutamol recomendada na crise aguda?

Na emergência pediátrica, para crises leves a moderadas, a dose habitual de salbutamol spray (100 mcg/jato) é de 2 a 10 jatos a cada 20 minutos na primeira hora (fase de resgate). A quantidade exata depende do peso da criança e da gravidade da obstrução. É fundamental o uso do espaçador com máscara (para crianças menores) ou bocal (para maiores de 4-6 anos que cooperam) para garantir que a medicação chegue aos pulmões. Se não houver resposta satisfatória após a primeira hora, deve-se reavaliar a necessidade de corticoide sistêmico e oxigenioterapia.

Quando usar o brometo de ipratrópio na crise de asma?

O brometo de ipratrópio (um anticolinérgico) deve ser adicionado ao salbutamol preferencialmente nas crises asmáticas classificadas como graves ou naquelas moderadas que não apresentaram resposta inicial satisfatória ao beta-2 agonista isolado. O uso combinado na primeira hora de tratamento na emergência reduz significativamente as taxas de hospitalização. No entanto, para uma crise leve a moderada inicial, como parece ser o caso do paciente (acianótico, sibilos difusos, taquidispneia moderada), o salbutamol isolado é a conduta de primeira linha recomendada.

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