Crise de Asma Pediátrica: Classificação e Manejo na Emergência

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024

Enunciado

Paciente, com 4 anos de idade, foi levado à emergência com tosse persistente noturna e “chiado no peito”. A mãe referiu ter feito inalações com salbutamol, 3 vezes ao dia, sem melhora. Ao exame físico, o pediatra observou estado geral murmúrio vesicular normal e presença de sibilos difusos. Saturação oxigênio 93%. FR = 50 i.p.m; FC = 125 bpm; SaO, = 93%. Com base nos critérios clínicos e laboratoriais, qual o tipo de crise da criança e qual o tratamento correto na emergência?

Alternativas

  1. A) Crise de asma grave; agentes beta-2 agonistas de curta duração + oxigênio, via inalação, a cada 20 minutos, até 1 hora (3 doses); corticosteróide (E.V. ou V.O). 
  2. B) Crise de asma muito grave; agentes beta-2 agonistas de curta duração + oxigênio de 20/20 minutos + brometo de ipatrópio (10 gotas); corticoide venoso (hidrocortisona, 5 mg/kg/dose, 6/6 horas). 
  3. C) Crise de asma muito grave; beta-2 agonista (salbutamol a 0,5%) E.V., ataque com 10 ug/kg em 10 minutos e 0,2 g/kg de manutenção.
  4. D) Crise de asma moderada; inalação com beta-2 agonista de curta duração e ar comprimido, a cada 20 minutos (no máximo 1 hora).
  5. E) Crise de asma grave; inalação de beta-2 agonista de curta duração + ar comprimido 20/20 minutos, até 1 hora (3 doses). 

Pérola Clínica

Crise de asma grave (SaO2 < 95%, FR ↑, sibilos difusos) → Beta-2 agonista + O2 (3 doses em 1h) + Corticoide (VO/EV).

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de crise de asma grave (FR 50, SaO2 93%, sibilos difusos, sem melhora com salbutamol domiciliar). O tratamento de emergência inclui beta-2 agonistas de curta duração (salbutamol) com oxigênio, administrados em doses repetidas, e corticosteroides sistêmicos (oral ou EV) para reduzir a inflamação.

Contexto Educacional

A crise de asma é uma das principais causas de atendimento em emergências pediátricas. A avaliação rápida da gravidade e o início do tratamento adequado são cruciais para evitar a progressão para insuficiência respiratória. A classificação da gravidade baseia-se em parâmetros clínicos como frequência respiratória, uso de musculatura acessória, nível de consciência, capacidade de fala e saturação de oxigênio. No caso apresentado, a criança de 4 anos com tosse persistente noturna, "chiado no peito", falha terapêutica com salbutamol domiciliar, FR elevada (50 ipm), sibilos difusos e SaO2 de 93% em ar ambiente, configura uma crise de asma grave. A saturação de oxigênio abaixo de 95% é um indicador importante de gravidade. O tratamento de emergência para uma crise de asma grave inclui a administração de oxigênio para manter a saturação acima de 95%, beta-2 agonistas de curta duração (como salbutamol) por via inalatória, que devem ser repetidos a cada 20 minutos por até 1 hora (total de 3 doses). Além disso, a introdução precoce de corticosteroides sistêmicos (por via oral ou intravenosa, dependendo da gravidade e da capacidade de deglutição) é essencial para controlar a inflamação subjacente e prevenir a piora do quadro. O brometo de ipratrópio, um anticolinérgico, pode ser adicionado em crises moderadas a graves para um efeito broncodilatador aditivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar uma crise de asma como grave em crianças?

Uma crise de asma é considerada grave em crianças quando há taquipneia acentuada, uso de musculatura acessória, retração intercostal, SaO2 < 95% em ar ambiente, sibilos difusos e, por vezes, dificuldade para falar ou alimentar-se. A ausência de melhora com broncodilatadores domiciliares também é um sinal de alerta.

Qual a sequência de tratamento para uma crise de asma grave na emergência?

O tratamento inicial envolve a administração de oxigênio para manter SaO2 > 95%, beta-2 agonistas de curta duração (ex: salbutamol) por inalação ou nebulização, repetidos a cada 20 minutos por até 1 hora (total de 3 doses), e corticosteroides sistêmicos (oral ou intravenoso) o mais rápido possível. Brometo de ipratrópio pode ser adicionado em crises moderadas a graves.

Por que os corticosteroides sistêmicos são importantes no tratamento da crise de asma?

Os corticosteroides sistêmicos são fundamentais porque atuam reduzindo a inflamação das vias aéreas, que é a base da asma. Eles demoram algumas horas para fazer efeito, mas são essenciais para prevenir a progressão da crise e reduzir a necessidade de hospitalização e recaídas.

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