INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente de 7 anos vai a um pronto-socorro acompanhada de sua mãe. Essa paciente é asmática e apresenta crise de sibilância de repetição desde o primeiro ano de vida. Ela faz uso de beclometasona 200 mcg/dia e há relato de várias internações por asma — uma, inclusive, com necessidade de terapia intensiva. A mãe informa que a paciente começou a apresentar início de tosse seca frequente, dor torácica e gemência há cerca de 2 horas, quando inalou fumaça de um pneu queimado na rua. Ao exame físico, a paciente apresenta agitação alternada com leve sonolência e incapacidade de falar frases, ou seja, ela pronuncia somente palavras; frequência respiratória de 60 incursões respiratórias por minuto, frequência cardíaca de 156 batimentos por minuto, temperatura axilar de 36,8 °C, saturação de O2 no oxímetro de pulso (ar ambiente) de 88%; tiragens intercostais, batimento de aletas nasais, diminuição difusa de murmúrio vesicular e presença de sibilos bilaterais. No pronto-socorro, a paciente começa a usar salbutamol inalatório na dose de 600 mcg, 20 minutos depois do ciclo de sabultamol, a saturação O2 vai para 89%, mantendo dispneia importante.Com base nos dados apresentados, faça o que se pede nos itens a seguir. a) Classifique a crise de asma da paciente de acordo com a gravidade. Justifique sua resposta citando, ao menos, cinco dados clínicos verificados nesse caso. Serão pontuados apenas os cinco primeiros dados clínicos indicados. (valor: 2,0 pontos) b) Há necessidade de exames complementares no atendimento imediato e após estabilização no pronto-socorro? Justifique sua resposta. (valor: 2,0 pontos) c) Cite quatro condutas a serem tomadas nesse momento imediato. Serão aceitas apenas as quatro primeiras condutas indicadas. (valor: 6,0 pontos
Agitação/Sonolência + SpO2 < 90% + Incapacidade de falar → Crise de Asma Muito Grave.
A crise de asma com sinais de exaustão (alteração do sensório) e hipoxemia grave (SpO2 88%) é uma emergência médica que exige oxigenoterapia, broncodilatadores contínuos e corticoide sistêmico imediato.
A asma é a doença crônica mais comum na infância, e as crises agudas graves representam uma causa importante de morbidade e admissão em UTIs pediátricas. A avaliação rápida baseada em sinais clínicos é fundamental, pois a deterioração pode ser súbita. O caso clínico apresenta uma paciente com histórico de asma grave (uso de corticoide inalatório e internação prévia em UTI) que evolui com sinais de insuficiência respiratória iminente após exposição a irritante (fumaça). O manejo segue as diretrizes do GINA (Global Initiative for Asthma) e do PALS (Pediatric Advanced Life Support). O uso de escores clínicos (como o PRAM ou o Wood-Downes) auxilia na objetivação da gravidade. É crucial reconhecer que a manutenção de uma saturação baixa (89%) mesmo após a primeira dose de broncodilatador indica uma crise refratária, exigindo escalonamento terapêutico imediato e monitorização contínua em ambiente de terapia intensiva ou sala vermelha.
A crise deve ser classificada como 'Muito Grave' ou 'Grave com Risco de Vida' (Life-threatening). Os critérios clínicos que justificam essa classificação incluem: 1) Alteração do estado mental (agitação alternada com sonolência), indicando hipóxia cerebral ou hipercapnia; 2) Incapacidade de falar frases completas (fala apenas palavras isoladas); 3) Saturação de O2 muito baixa (88% em ar ambiente); 4) Sinais de esforço respiratório extremo (taquipneia de 60 irpm, tiragens intercostais e batimento de aletas nasais); 5) Murmúrio vesicular diminuído difusamente, sugerindo baixo fluxo aéreo (tórax silencioso).
No atendimento imediato, o diagnóstico é clínico e o tratamento não deve ser retardado por exames. No entanto, após o início das medidas de resgate, são necessários: 1) Gasometria arterial ou venosa para avaliar a pressão parcial de CO2 (PaCO2 normal ou elevada em um paciente taquipneico indica exaustão respiratória); 2) Radiografia de tórax para excluir complicações como pneumotórax, pneumomediastino ou focos de condensação (pneumonia) que possam ter desencadeado a crise; 3) Eletrólitos, especialmente potássio, pois o uso repetitivo de beta-2 agonistas pode causar hipocalemia.
As quatro condutas imediatas essenciais são: 1) Oxigenoterapia suplementar para manter a saturação de O2 entre 94-98% (ou 93-95% conforme alguns protocolos); 2) Administração de Beta-2 agonista de curta duração (Salbutamol) associado ao Brometo de Ipratrópio, preferencialmente de forma contínua ou em intervalos curtos (ex: a cada 20 min); 3) Corticoterapia sistêmica precoce (via intravenosa, como metilprednisolona ou hidrocortisona, dada a gravidade e risco de má absorção oral); 4) Considerar o uso de Sulfato de Magnésio intravenoso como terapia adjuvante para broncodilatação em crises graves que não respondem à terapia inicial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo