Crise Aplástica por Parvovírus B19 na Anemia Falciforme

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Adolescente, sexo feminino, de 14 anos, portadora de anemia falciforme, é trazida ao prontosocorro devido a fadiga intensa, sonolência e palidez progressiva nos últimos dois dias. Os pais relatam que ela não apresenta dores, febre ou outros sintomas associados no momento, mas destacam que há cerca de uma semana a paciente apresentou um quadro viral leve, com febre baixa e coriza, que se resolveu espontaneamente. No exame físico, observa-se palidez acentuada, frequência cardíaca de 124 bpm e pressão arterial de 95x60 mmHg, sem sinais de icterícia ou hepatoesplenomegalia. Hemograma inicial demonstra hemoglobina de 4,5 g/dL (valor prévio basal 8,0 g/dL), reticulócitos de 0,1% e ausência de outras alterações significativas. Com base no caso clínico apresentado, qual condição associada à infecção por parvovírus B19 é a mais provável no contexto desta paciente?

Alternativas

  1. A) Crise aplástica.
  2. B) Sequestro esplênico.
  3. C) Crise de dor vaso-oclusiva.
  4. D) Síndrome torácica aguda.
  5. E) Hemólise crônica exacerbada.

Pérola Clínica

Anemia aguda + Reticulocitopenia + Infecção viral prévia = Crise Aplástica (Parvovírus B19).

Resumo-Chave

A crise aplástica é caracterizada pela interrupção temporária da produção de hemácias pela medula óssea, classicamente desencadeada pelo Parvovírus B19 em pacientes com alta renovação eritroide.

Contexto Educacional

A crise aplástica representa uma das emergências hematológicas na anemia falciforme. O quadro clínico típico envolve um pródromo viral seguido de palidez acentuada e fadiga. O achado laboratorial patognomônico é a reticulocitopenia em um paciente que normalmente apresenta reticulocitose basal devido à hemólise crônica. É fundamental que o médico assistente reconheça que, ao contrário das crises vaso-oclusivas, a dor não é o sintoma predominante. O diagnóstico é clínico-laboratorial, e a sorologia ou PCR para Parvovírus B19 confirma a etiologia, embora o tratamento não deva ser retardado à espera desses resultados.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar crise aplástica de sequestro esplênico?

A principal diferença reside na contagem de reticulócitos e no exame físico. Na crise aplástica, os reticulócitos estão muito baixos (frequentemente < 1%) e não há esplenomegalia. No sequestro esplênico, há queda da hemoglobina acompanhada de reticulocitose importante e um baço subitamente aumentado e doloroso.

Qual a conduta imediata na crise aplástica?

A conduta baseia-se em suporte transfusional com concentrado de hemácias se houver instabilidade hemodinâmica ou anemia sintomática grave. Além disso, o paciente deve ser mantido em isolamento respiratório, pois o Parvovírus B19 é altamente contagioso e pode causar crises semelhantes em outros pacientes com anemias hemolíticas.

Por que o Parvovírus B19 causa crise aplástica apenas em certas anemias?

O Parvovírus B19 infecta diretamente os precursores eritroides na medula óssea, cessando a produção de hemácias por cerca de 7 a 10 dias. Em pessoas saudáveis, a meia-vida da hemácia é de 120 dias, tornando a pausa imperceptível. Na anemia falciforme, a meia-vida é de apenas 10-20 dias, levando a uma queda catastrófica da hemoglobina sem a produção nova.

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