HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Criança, 9 anos de idade, com doença falciforme, é trazida à emergência pelos pais com febre e erupção cutânea. A história revela febre e coriza nos últimos 4 dias, seguidos por uma erupção eritematosa difusa. A criança apresenta fadiga e mal-estar significativo. Exames laboratoriais apresentam hemoglobina de 6 g/dL e contagem de reticulócitos de 0,5%. Assinale a alternativa que apresenta o mais provável organismo causador
Doença falciforme + febre + erupção + anemia grave + reticulocitopenia → Crise aplásica por Parvovírus B19.
Em pacientes com doença falciforme, o Parvovírus B19 é a causa mais comum de crise aplásica transitória, caracterizada por anemia grave e reticulocitopenia. A erupção cutânea (eritema infeccioso) pode preceder ou acompanhar a fase anêmica.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia genética que predispõe os pacientes a diversas complicações hematológicas, incluindo crises vaso-oclusivas, sequestro esplênico e crises aplásicas. As crises aplásicas transitórias são episódios de supressão aguda da eritropoiese na medula óssea, resultando em anemia grave e reticulocitopenia. A identificação rápida da causa e o manejo adequado são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade. O Parvovírus B19 é o agente etiológico mais comum das crises aplásicas transitórias em pacientes com doença falciforme. Este vírus tem um tropismo específico por precursores eritroides, levando à interrupção temporária da produção de glóbulos vermelhos. Em indivíduos saudáveis, a infecção por Parvovírus B19 pode causar o eritema infeccioso (quinta doença), uma doença benigna. No entanto, em pacientes com doença falciforme, cuja vida útil dos eritrócitos já é encurtada, a supressão medular resulta em uma queda abrupta e perigosa da hemoglobina. O diagnóstico é suspeitado pela tríade de anemia grave, reticulocitopenia e história de doença falciforme, muitas vezes precedida por sintomas virais e erupção cutânea. O tratamento é de suporte, principalmente com transfusões de concentrado de hemácias. Residentes devem estar atentos a este quadro, pois a rápida intervenção transfusional pode ser vital. A prevenção, através da higiene e evitando contato com pessoas doentes, é importante, embora nem sempre possível.
Uma crise aplásica se manifesta com anemia grave (hemoglobina baixa), fadiga, mal-estar, palidez e, crucialmente, reticulocitopenia (contagem de reticulócitos muito baixa), indicando supressão da medula óssea.
O Parvovírus B19 tem tropismo por precursores eritroides na medula óssea. Em pacientes com doença falciforme, que já têm uma vida útil reduzida das hemácias, a supressão medular transitória leva a uma queda drástica e rápida da hemoglobina.
O diagnóstico é clínico-laboratorial (anemia, reticulocitopenia) e confirmado pela detecção de DNA viral do Parvovírus B19 por PCR ou pela presença de anticorpos IgM específicos no soro.
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