Crise Aplásica na Anemia Falciforme: Manejo e Diagnóstico

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma criança de três anos de idade, do sexo masculino, com antecedente de anemia falciforme, deu entrada no pronto socorro infantil, com quadro de palidez e fraqueza havia 48 horas. Seu acompanhante negou que a criança tivesse apresentado febre. O exame físico indicou o seguinte: descorado; hipoativo; frequência cardíaca de 130 bpm; normotenso e eupneico; MV presente bilateralmente, sem ruídos adventícios; abdome flácido, indolor, sem visceromegalias. O resultado de exames laboratoriais foi o seguinte: Hb = 5,5 g/dL (Hb basal = 8,5 g/dL); leucócitos = 6.500/mm³; plaquetas = 200 mil; PCR = 0,5 mg/dL; reticulócitos diminuídos.Com relação ao caso clínico acima, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O tratamento consiste na estabilização hemodinâmica até a elevação dos reticulócitos.
  2. B) A administração de imunoglobulina é o tratamento de primeira escolha.
  3. C) A transfusão de hemácias não está indicada; estaria apenas se Hb < 5,0 g/dL.
  4. D) A principal causa do quadro em questão é a infecção pelo enterovírus 71.
  5. E) Trata-se de uma anemia hemolítica com necessidade de transfusão de hemácias.

Pérola Clínica

Anemia falciforme + anemia grave + reticulócitos ↓ → Crise aplásica por Parvovírus B19. Tratamento: suporte hemodinâmico e transfusão se instabilidade.

Resumo-Chave

A crise aplásica em pacientes com anemia falciforme, frequentemente desencadeada pelo Parvovírus B19, cursa com queda abrupta da hemoglobina e reticulocitopenia, necessitando de estabilização hemodinâmica e transfusão de hemácias se houver sinais de instabilidade.

Contexto Educacional

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia genética que predispõe a diversas complicações, incluindo crises álgicas, síndrome torácica aguda, acidente vascular cerebral e crises anêmicas. Entre as crises anêmicas, a crise aplásica é uma das mais graves e é caracterizada por uma queda súbita e acentuada dos níveis de hemoglobina, acompanhada de reticulocitopenia (diminuição dos reticulócitos). A causa mais comum da crise aplásica em pacientes com anemia falciforme é a infecção pelo Parvovírus B19. Este vírus infecta e destrói as células progenitoras eritroides na medula óssea, levando a uma interrupção temporária da produção de glóbulos vermelhos. Em indivíduos normais, isso pode passar despercebido, mas em pacientes com anemia falciforme, cuja vida útil dos eritrócitos já é reduzida, a supressão da medula óssea resulta em anemia grave. O manejo da crise aplásica foca na estabilização hemodinâmica do paciente. A transfusão de hemácias é frequentemente necessária, especialmente se a hemoglobina cair significativamente abaixo do nível basal do paciente ou se houver sinais de instabilidade hemodinâmica, independentemente de um valor de corte absoluto. O objetivo é manter a oxigenação tecidual adequada até que a medula óssea se recupere e os reticulócitos voltem a subir, o que geralmente ocorre em 7 a 10 dias.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa da crise aplásica em pacientes com anemia falciforme?

A principal causa da crise aplásica em pacientes com anemia falciforme é a infecção pelo Parvovírus B19, que tem tropismo pelas células progenitoras eritroides, levando à supressão transitória da eritropoiese.

Quando a transfusão de hemácias é indicada na crise aplásica?

A transfusão de hemácias é indicada na crise aplásica quando há anemia grave com sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipoatividade, descoramento intenso) ou queda significativa da hemoglobina basal, independentemente de um valor de corte fixo.

Como diferenciar a crise aplásica de uma crise hemolítica na anemia falciforme?

A principal diferença é o nível de reticulócitos: na crise aplásica, os reticulócitos estão diminuídos (reticulocitopenia), indicando falha na produção medular, enquanto na crise hemolítica, eles estão elevados (reticulocitose), refletindo a tentativa da medula de compensar a destruição de hemácias.

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