Crise Aguda de Porfiria: Sinais e Sintomas Chave

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023

Enunciado

Qual das alternativas abaixo apresenta quadro clínico compatível com crise aguda de porfiria?

Alternativas

  1. A) Homem, 35 anos, episódios frequentes de quadros depressivos e psicose crônica, com várias idas à emergência e histórico de tentativas de suicídio.
  2. B) Mulher, 28 anos, episódios recorrentes de dor abdominal, lombossacra, glúteo e coxas, necessitando de opioides para alívio; exame físico abdominal é normal, podendo ter associado hipertensão, taquicardia e vômitos.
  3. C) Mulher, 62 anos, episódios recorrentes de diarreia e dor abdominal, com leucocitose e marcadores inflamatórios aumentados quando dosados no momento da crise aguda.
  4. D) Homem, 48 anos, quadro de dor torácica com características anginosas, alterações eletrocardiográficas sugestivas de isquemia miocárdica e cateterismo cardíaco evidenciando coronárias normais.

Pérola Clínica

Crise de porfiria aguda → dor abdominal intensa + sintomas neuropsiquiátricos/autonômicos (taquicardia, hipertensão), sem achados abdominais focais.

Resumo-Chave

As crises agudas de porfiria, como a Porfiria Aguda Intermitente (PAI), são caracterizadas por dor abdominal intensa e difusa, frequentemente desproporcional aos achados do exame físico, acompanhada de sintomas neuropsiquiátricos e autonômicos, como taquicardia, hipertensão, vômitos e neuropatia.

Contexto Educacional

As porfirias são um grupo de doenças metabólicas raras, geralmente hereditárias, resultantes de deficiências enzimáticas na via de biossíntese do heme. As porfirias agudas, como a Porfiria Aguda Intermitente (PAI), são caracterizadas por crises neuroviscerais que podem ser desencadeadas por diversos fatores e representam uma emergência médica, sendo um tema de relevância para o diagnóstico diferencial em medicina interna e neurologia. As crises agudas de porfiria manifestam-se principalmente por sintomas neuroviscerais. O sintoma mais comum é a dor abdominal intensa, difusa e persistente, que pode ser acompanhada de náuseas, vômitos, constipação ou diarreia. O exame físico abdominal é frequentemente normal ou com achados inespecíficos, o que pode levar a diagnósticos errôneos e cirurgias exploratórias desnecessárias. Além da dor abdominal, os pacientes podem apresentar manifestações neurológicas, como neuropatia periférica (fraqueza muscular, parestesias), e sintomas psiquiátricos (ansiedade, depressão, alucinações, psicose). Sintomas autonômicos são comuns, incluindo taquicardia, hipertensão, sudorese e retenção urinária. O diagnóstico é confirmado pela elevação dos precursores de porfirinas (ácido delta-aminolevulínico e porfobilinogênio) na urina durante a crise. O tratamento envolve a remoção dos fatores desencadeantes e a administração de heme arginato.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais gatilhos para uma crise aguda de porfiria?

Gatilhos comuns incluem certos medicamentos (barbitúricos, sulfonamidas, contraceptivos orais), álcool, jejum prolongado, estresse, infecções e alterações hormonais (ciclo menstrual).

Qual o tratamento de primeira linha para uma crise aguda de porfiria?

O tratamento de primeira linha é a administração de heme arginato intravenoso, que suprime a via de síntese do heme e reduz a produção de precursores porfirínicos neurotóxicos.

Como diferenciar a dor abdominal da porfiria de outras causas agudas?

A dor abdominal na porfiria é tipicamente difusa, intensa e não acompanhada de sinais de irritação peritoneal. Frequentemente, há sintomas neurológicos (neuropatia) e autonômicos (taquicardia, hipertensão) associados, e o exame físico abdominal é surpreendentemente normal.

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