AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Qual das alternativas abaixo apresenta quadro clínico compatível com crise aguda de porfiria?
Crise de porfiria aguda → dor abdominal intensa + sintomas neuropsiquiátricos/autonômicos (taquicardia, hipertensão), sem achados abdominais focais.
As crises agudas de porfiria, como a Porfiria Aguda Intermitente (PAI), são caracterizadas por dor abdominal intensa e difusa, frequentemente desproporcional aos achados do exame físico, acompanhada de sintomas neuropsiquiátricos e autonômicos, como taquicardia, hipertensão, vômitos e neuropatia.
As porfirias são um grupo de doenças metabólicas raras, geralmente hereditárias, resultantes de deficiências enzimáticas na via de biossíntese do heme. As porfirias agudas, como a Porfiria Aguda Intermitente (PAI), são caracterizadas por crises neuroviscerais que podem ser desencadeadas por diversos fatores e representam uma emergência médica, sendo um tema de relevância para o diagnóstico diferencial em medicina interna e neurologia. As crises agudas de porfiria manifestam-se principalmente por sintomas neuroviscerais. O sintoma mais comum é a dor abdominal intensa, difusa e persistente, que pode ser acompanhada de náuseas, vômitos, constipação ou diarreia. O exame físico abdominal é frequentemente normal ou com achados inespecíficos, o que pode levar a diagnósticos errôneos e cirurgias exploratórias desnecessárias. Além da dor abdominal, os pacientes podem apresentar manifestações neurológicas, como neuropatia periférica (fraqueza muscular, parestesias), e sintomas psiquiátricos (ansiedade, depressão, alucinações, psicose). Sintomas autonômicos são comuns, incluindo taquicardia, hipertensão, sudorese e retenção urinária. O diagnóstico é confirmado pela elevação dos precursores de porfirinas (ácido delta-aminolevulínico e porfobilinogênio) na urina durante a crise. O tratamento envolve a remoção dos fatores desencadeantes e a administração de heme arginato.
Gatilhos comuns incluem certos medicamentos (barbitúricos, sulfonamidas, contraceptivos orais), álcool, jejum prolongado, estresse, infecções e alterações hormonais (ciclo menstrual).
O tratamento de primeira linha é a administração de heme arginato intravenoso, que suprime a via de síntese do heme e reduz a produção de precursores porfirínicos neurotóxicos.
A dor abdominal na porfiria é tipicamente difusa, intensa e não acompanhada de sinais de irritação peritoneal. Frequentemente, há sintomas neurológicos (neuropatia) e autonômicos (taquicardia, hipertensão) associados, e o exame físico abdominal é surpreendentemente normal.
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