MedEvo Simulado — Prova 2025
Dona Eunice, 72 anos, comparece à emergência com dor súbita e intensa, edema e calor no tornozelo direito, iniciado há 24 horas. Refere múltiplos episódios prévios semelhantes, mas em outras articulações, diagnosticados como gota. É hipertensa e diabética, com doença renal crônica estágio 3b (TFG estimada 40 mL/min/1,73m²), em uso crônico de losartana, metformina e alopurinol há 3 anos. Ao exame, tornozelo direito edemaciado, hiperemiado e muito doloroso à palpação. Temperatura axilar de 37,2°C. Exames laboratoriais mostram leucócitos 8.500/mm³, PCR 25 mg/L, ácido úrico 5,8 mg/dL. A paciente nega febre ou outros sintomas sistêmicos. Qual a conduta mais adequada para o manejo da crise aguda de artrite neste momento:
Crise gota + DRC + Alopurinol em uso → Corticoide intra-articular ou oral (baixa dose) é preferível.
Em pacientes com crise aguda de gota, especialmente idosos com doença renal crônica e em uso de alopurinol, AINEs e colchicina podem ser contraindicados ou exigir ajuste de dose. A infiltração intra-articular com corticosteroide é uma opção eficaz e segura para o alívio rápido da dor e inflamação localizada.
A gota é uma doença inflamatória causada pelo depósito de cristais de monourato de sódio nas articulações e tecidos periarticulares, resultante de hiperuricemia. A crise aguda de gota é caracterizada por dor súbita e intensa, edema, calor e eritema em uma ou mais articulações, sendo o hálux (podagra) o local mais comum, mas outras articulações como o tornozelo também podem ser afetadas. O diagnóstico é clínico, mas a confirmação definitiva é feita pela identificação de cristais de urato birrefringentes negativos em forma de agulha no líquido sinovial. É importante notar que os níveis séricos de ácido úrico podem estar normais durante uma crise aguda, o que não exclui o diagnóstico. Fatores de risco incluem idade avançada, obesidade, hipertensão, diabetes, doença renal crônica e uso de certos medicamentos (como diuréticos). O tratamento da crise aguda de gota visa aliviar a dor e a inflamação. As opções incluem AINEs, colchicina e corticosteroides. No entanto, em pacientes com comorbidades como doença renal crônica, as escolhas devem ser cuidadosamente ponderadas. AINEs são contraindicados ou devem ser usados com extrema cautela devido ao risco de nefrotoxicidade. A colchicina requer ajuste de dose na DRC. Nesses casos, corticosteroides, seja por via oral (em doses baixas) ou por infiltração intra-articular, tornam-se a opção preferencial devido ao seu perfil de segurança e eficácia no alívio rápido dos sintomas localizados. O alopurinol, um inibidor da xantina oxidase, é usado para profilaxia de crises e redução do ácido úrico a longo prazo, mas não deve ser iniciado ou suspenso durante uma crise aguda.
AINEs são nefrotóxicos e podem piorar a função renal em pacientes com DRC. A colchicina tem sua excreção renal reduzida na DRC, aumentando o risco de toxicidade (gastrointestinal, neuromuscular) se não houver ajuste de dose.
A infiltração intra-articular oferece alívio rápido e potente da inflamação e dor diretamente na articulação afetada, com mínima absorção sistêmica, sendo uma opção segura para pacientes com contraindicações a AINEs ou colchicina, como na DRC.
Não. Em até 30% dos pacientes, o nível sérico de ácido úrico pode estar normal ou até baixo durante uma crise aguda de gota, devido à redistribuição do urato ou aumento da excreção renal durante a inflamação. O diagnóstico é clínico e pode ser confirmado por análise do líquido sinovial.
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