SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Um recém-nascido com dez dias de vida, em aleitamento materno exclusivo, foi levado ao serviço de emergência com história de vômitos e baixa ingesta alimentar há dois dias. Ao exame: em regular estado geral; letárgico; desidratado; hipoativo; FC de 154 bpm; FR de 50 ipm; ausculta cardiopulmonar sem alterações; abdome globoso, flácido, indolor e sem visceromegalias; e tempo de enchimento capilar de 3 segundos. Exames laboratoriais: pH 7,25; pCO2 32 mmHg; bic 17 mEq/L; BE – 6; Na 125 mEq/L; e K 6,8 mEq/L. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa incorreta com relação à condução do tratamento do paciente.
RN 10d, vômitos, desidratação, hiponatremia, hipercalemia, acidose metabólica → Crise Adrenal (HAC). NÃO é indicação primária de ATB.
O quadro clínico e laboratorial (hiponatremia, hipercalemia, acidose metabólica em RN com vômitos e desidratação) é altamente sugestivo de crise adrenal por Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC). A antibioticoterapia não é a conduta inicial, a menos que haja sinais claros de infecção.
A crise adrenal neonatal é uma emergência pediátrica grave, frequentemente associada à Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC), especialmente a forma perdedora de sal devido à deficiência de 21-hidroxilase. Esta condição genética autossômica recessiva resulta na incapacidade das glândulas adrenais de produzir cortisol e, na maioria dos casos, aldosterona, levando a um desequilíbrio hidroeletrolítico potencialmente fatal. O diagnóstico precoce é crucial, pois a triagem neonatal pode não ter sido realizada ou os resultados ainda não estão disponíveis. O quadro clínico típico se manifesta entre o 7º e o 14º dia de vida em recém-nascidos a termo, com vômitos, baixa ingesta, letargia, desidratação e perda de peso. Os achados laboratoriais são patognomônicos: hiponatremia (Na < 130 mEq/L), hipercalemia (K > 6,5 mEq/L) e acidose metabólica. A presença desses eletrólitos alterados em um RN com esses sintomas deve levantar forte suspeita de crise adrenal, mesmo na ausência de ambiguidade genital (presente em meninas com HAC clássica). O tratamento da crise adrenal é uma emergência e deve ser iniciado imediatamente. Inclui hidratação vigorosa com soro fisiológico (para corrigir desidratação e hiponatremia), reposição de glicose (para hipoglicemia, se presente) e, fundamentalmente, a administração de hidrocortisona intravenosa em dose de estresse para repor o cortisol. A adição de sal de cozinha ao leite materno é uma medida de longo prazo para a reposição de sódio, mas não a conduta inicial para a crise. A antibioticoterapia só seria indicada se houvesse evidência clara de infecção concomitante, o que não é o foco principal do quadro eletrolítico.
Os sinais incluem vômitos, baixa ingesta alimentar, letargia, desidratação, perda de peso, hipotensão e, em meninas, virilização genital. Laboratorialmente, destacam-se hiponatremia, hipercalemia e acidose metabólica.
A conduta inicial envolve hidratação vigorosa com soro fisiológico, reposição de glicose, e administração imediata de hidrocortisona intravenosa para repor os glicocorticoides e mineralocorticoides deficientes.
Embora ambas possam causar letargia e vômitos, a crise adrenal é fortemente sugerida pela tríade de hiponatremia, hipercalemia e acidose metabólica. A sepse pode ter essas alterações, mas a disfunção adrenal é a causa primária na HAC.
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