Crise Adrenal: Diagnóstico e Manejo em Urgência

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2015

Enunciado

Homem, 25 anos, relata que há 6 meses apresenta-se com astenia, anorexia, episódios sincopais, com tendência à hipotensão arterial e hipoglicemias. Houve perda de 10 kg neste período, e notou a pele mais escura desde então. Foi internado na UTI há 6 horas com hipotensão arterial e hipoperfusão tecidual após submeter-se a uma apendicectomia não complicada, que não respondem ao uso de antibióticos, hidratação intensa e drogas vasoativas. Qual seria a conduta mais adequada com a sua respectiva justificativa?

Alternativas

  1. A) Iniciar anticoagulação plena com heparina, visto que se trata de uma embolia pulmonar que instalou-se após uma cirurgia abdominal.
  2. B) Mudar o esquema antibiótico visando Gram-negativos e anaeróbios, já que se trata de uma sepse abdominal.
  3. C) Iniciar esquema antirretroviral, e solicitar ELISA para HIV, visto que se trata de paciente com provável Aids.
  4. D) Fazer corticoides intravenosos em doses baixas (hidrocortisona 100 mg IV 6/6 horas) e hidratação intensa com soro fisiológico, visto que se trata de crise adrenal, a qual deverá ser investigada a posteriori.
  5. E) Iniciar anfotericina B, pois trata-se de uma provável sepse de etiologia fúngica, como complicação tardia de cirurgia abdominal.

Pérola Clínica

Hipotensão refratária + Hipoglicemia + Hiperpigmentação + Estresse (cirurgia) = Crise Adrenal → Hidrocortisona IV.

Resumo-Chave

O quadro de astenia, anorexia, perda de peso, hiperpigmentação cutânea, hipotensão e hipoglicemia, agravado por um estressor (cirurgia) e evoluindo para choque refratário, é altamente sugestivo de crise adrenal (insuficiência adrenal aguda). A conduta imediata é a reposição de glicocorticoides (hidrocortisona IV) e hidratação vigorosa.

Contexto Educacional

A crise adrenal, ou insuficiência adrenal aguda, é uma emergência endócrina grave e potencialmente fatal, caracterizada pela deficiência aguda e severa de cortisol, e por vezes de mineralocorticoides. Geralmente ocorre em pacientes com insuficiência adrenal crônica (Doença de Addison) que são submetidos a um estressor fisiológico (infecção, cirurgia, trauma) ou em pacientes em uso crônico de corticoides que suspendem abruptamente a medicação. O quadro clínico é marcado por hipotensão arterial refratária a fluidos e vasopressores, choque, hipoglicemia, náuseas, vômitos, dor abdominal e febre. A hiperpigmentação cutânea e das mucosas é um sinal crônico da insuficiência adrenal primária (Doença de Addison) devido ao aumento do ACTH, e sua presença em um paciente chocado deve levantar forte suspeita. O tratamento é uma emergência e deve ser iniciado imediatamente com a administração de hidrocortisona intravenosa em doses de estresse (ex: 100 mg IV a cada 6-8 horas) e reposição volêmica agressiva com soro fisiológico. A investigação da causa subjacente pode ser feita após a estabilização do paciente, mas o tratamento não deve ser atrasado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da crise adrenal?

Os sinais e sintomas incluem hipotensão arterial grave e refratária, choque, hipoglicemia, náuseas, vômitos, dor abdominal, febre, e, em casos de insuficiência adrenal crônica subjacente, hiperpigmentação cutânea.

Por que a crise adrenal pode ser desencadeada por uma cirurgia?

A cirurgia é um estressor fisiológico significativo que aumenta a demanda por cortisol. Em pacientes com insuficiência adrenal pré-existente (não diagnosticada ou subtratada), a glândula adrenal não consegue produzir cortisol suficiente para responder ao estresse, precipitando a crise.

Qual a conduta inicial mais importante na suspeita de crise adrenal?

A conduta inicial é a administração imediata de glicocorticoides intravenosos (ex: hidrocortisona 100 mg IV) e hidratação vigorosa com soro fisiológico, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido ao risco de vida.

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