SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2022
Uma mulher de 19 anos, refere sintomas de fraqueza, cefaleia e tontura há 3 meses, teve uma faringite leve seguida de febre alta nas últimas 24 horas. Quando vista na sala de emergência, paciente levemente dispneica com queixas de vômitos. Os sinais vitais incluem temperatura de 39ºC, frequência de pulso de 102/minuto, frequência respiratória de 21/minuto e pressão arterial de 80/55 mm Hg. Estudos laboratoriais mostram sódio sérico de 115 mmol/L, potássio 5,3 mmol/L, cloreto 92 mmol/L, CO2 22 mmol/L, glicose 42 mg/dL e creatinina 1,1 mg/dL. Qual dos seguintes é o diagnóstico mais provável e tratamento imediato?
Crise adrenal = choque, hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia, desencadeada por estresse → tratamento imediato com hidrocortisona EV.
A paciente apresenta um quadro de crise adrenal aguda, caracterizado por choque (hipotensão), distúrbios eletrolíticos (hiponatremia, hipercalemia), hipoglicemia e piora súbita após um estressor (infecção). A insuficiência adrenal primária (Doença de Addison) é a causa mais provável, e o tratamento imediato é a reposição de glicocorticoides (hidrocortisona EV), fluidos e glicose.
A crise adrenal, ou crise addisoniana, é uma emergência médica potencialmente fatal causada por insuficiência adrenal aguda, geralmente em pacientes com doença de Addison (insuficiência adrenal primária crônica) que são submetidos a um estressor físico (infecção, cirurgia, trauma). A fisiopatologia envolve a deficiência abrupta de glicocorticoides e mineralocorticoides, levando a um colapso circulatório. O quadro clínico é caracterizado por choque (hipotensão grave), náuseas, vômitos, dor abdominal, fadiga extrema e alterações do estado mental. Laboratorialmente, são achados típicos a hiponatremia, hipercalemia e hipoglicemia, devido à deficiência de aldosterona e cortisol, respectivamente. A presença de hiperpigmentação cutânea pode sugerir insuficiência adrenal primária crônica subjacente. O tratamento imediato é crucial e consiste na administração de hidrocortisona intravenosa (100 mg em bolus, seguida de doses de manutenção), reposição volêmica agressiva com soro fisiológico 0,9% para corrigir a hipotensão e a hiponatremia, e administração de glicose se houver hipoglicemia. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a desfechos desfavoráveis, reforçando a importância de reconhecer rapidamente essa condição em situações de emergência.
Os sintomas crônicos incluem fadiga progressiva, fraqueza muscular, perda de peso, hiperpigmentação da pele e mucosas, hipotensão postural, náuseas, vômitos e dor abdominal.
A deficiência de mineralocorticoides (aldosterona) leva à perda renal de sódio e água, resultando em hiponatremia, e à retenção de potássio, causando hipercalemia.
A dose inicial recomendada de hidrocortisona intravenosa para a crise adrenal é de 100 mg em bolus, seguida por 50-100 mg a cada 6-8 horas, juntamente com reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% e dextrose, se necessário.
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