TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente do sexo masculino. 31 anos, em situação de rua, dá entrada no pronto-socorro com queixa de fraqueza, escurecimento de mucosas e palmas de mãos e pés e pressão arterial 80x40 mmHg e glicemia 52 mg/dL. Nega febre ou outras queixas. Refere estar fazendo tratamento para tuberculose, supervisionado, em UBS, já há três meses. Considerando o principal diagnóstico, qual a conduta mais acertada nesse momento?
Choque + Hipoglicemia + Hiperpigmentação + Uso de Rifampicina → Crise Adrenal Aguda.
A tuberculose é uma causa importante de destruição adrenal (Addison). A rifampicina acelera o metabolismo do cortisol, podendo precipitar crise adrenal em pacientes com reserva limítrofe.
A crise adrenal é uma emergência médica com alta mortalidade se não tratada. Caracteriza-se por colapso circulatório que não responde adequadamente a vasopressores sem a presença de corticoides. Em pacientes com tuberculose, a destruição direta das glândulas ou a interação medicamentosa com a rifampicina são gatilhos clássicos. O quadro laboratorial típico inclui hiponatremia, hipercalemia (na forma primária) e hipoglicemia. A conduta deve ser empírica baseada na suspeita clínica, não devendo-se aguardar dosagens de cortisol ou testes de estímulo para iniciar a hidrocortisona e a reposição volêmica vigorosa.
Na falência adrenal primária, a queda do cortisol remove o feedback negativo sobre a hipófise, elevando o ACTH. O precursor do ACTH, a pro-opiomelanocortina (POMC), também gera o hormônio estimulante de melanócitos (MSH), resultando no escurecimento de mucosas e dobras cutâneas.
A tuberculose é uma das principais causas infecciosas de adrenalite granulomatosa, levando à destruição do córtex adrenal. Além disso, o tratamento com rifampicina induz enzimas do citocromo P450, aumentando o metabolismo do cortisol e podendo descompensar uma insuficiência adrenal latente.
O tratamento imediato exige estabilização hemodinâmica com solução salina isotônica (SF 0,9%), correção da hipoglicemia com glicose intravenosa e administração imediata de hidrocortisona (100mg em bolus, seguido de manutenção). A hidrocortisona é preferida por possuir atividade glicocorticoide e mineralocorticoide.
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