Crise Adrenal Aguda: Diagnóstico e Manejo Imediato

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 34 anos, sexo feminino, apresentou-se ao Departamento de Emergência com confusão mental, letargia e episódios de síncope ao permanecer de pé. Ela também teve episódios de vômitos ao longo do dia. Glicemia capilar mensurada na entrada do Hospital era de 55mg/dl, porém seu estado mental não melhorou após administração de glicose hipertônica EV (endovenosa) em bolus. Recentemente ficou sem usar certas medicações das quais fazia uso crônico e não conseguia lembrar de nada da sua história patológica pregressa. Pa: 80/40mmhg apesar do uso de 2 litros de solução isotônica EV, Fc: 80bpm, Fr: 12 ipm, Tax: 38,2ºc e saturação de O2 de 99% em ar ambiente. Sem rigidez de nuca. A pele das palmas das mãos e da mucosa bucal se mostravam escurecidas. Laboratório: Na+:128mmol/l, K+:5,8mmol/l, Cl:96mmol/l, Bicarbonato: 20mmol/l, Glicose: 120mg/dl, Ca++: 10,4mg/dl, U: 38mg/dl, Cr: 1mg/dl. A análise de líquido cefalorraquidiano após punção lombar revelou: WBC:03/mm³ (<5), RBC: 0/mm³ (0), Proteínas: 30mg/dl (15- 45) e Glicose:75mg/dl (40-80). Qual a terapêutica poderia ser iniciada nesta paciente precocemente?

Alternativas

  1. A) Difenidramina.
  2. B) Hidrocortisona.
  3. C) Vancomicina.
  4. D) Propiltiouracil.

Pérola Clínica

Hipotensão refratária, hiponatremia, hipercalemia, hiperpigmentação, febre, suspensão de medicação → Crise Adrenal = Hidrocortisona EV imediata.

Resumo-Chave

A crise adrenal aguda é uma emergência médica caracterizada por hipotensão refratária a fluidos, hipoglicemia, hiponatremia, hipercalemia e, em casos de insuficiência adrenal primária, hiperpigmentação. A história de suspensão de corticoides crônicos ou estresse em paciente com insuficiência adrenal conhecida é um gatilho comum. O tratamento de escolha é a reposição imediata de glicocorticoides (hidrocortisona IV) e fluidos.

Contexto Educacional

A crise adrenal aguda é uma emergência endócrina com alta morbimortalidade se não for prontamente reconhecida e tratada. Ela pode ocorrer em pacientes com insuficiência adrenal conhecida que são submetidos a estresse (infecção, cirurgia, trauma) ou que suspendem abruptamente a terapia crônica com glicocorticoides. A fisiopatologia envolve a deficiência aguda de cortisol, que leva à instabilidade hemodinâmica, distúrbios metabólicos e eletrolíticos. O diagnóstico é clínico e deve ser feito com base na alta suspeição, especialmente em pacientes com hipotensão refratária, hipoglicemia, hiponatremia e hipercalemia, e hiperpigmentação. A coleta de exames laboratoriais (cortisol, ACTH, eletrólitos, glicemia) deve ser feita, mas o tratamento não pode ser atrasado enquanto se aguardam os resultados. O pilar do tratamento é a reposição imediata de glicocorticoides com hidrocortisona intravenosa, que possui atividade glicocorticoide e mineralocorticoide. A reposição volêmica agressiva com soro fisiológico 0,9% é igualmente crucial para reverter o choque. Residentes e estudantes devem estar aptos a identificar rapidamente este quadro e iniciar a terapêutica salvadora de vidas, pois o atraso no tratamento pode ter consequências devastadoras.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de uma crise adrenal aguda?

Os principais sinais e sintomas incluem hipotensão (frequentemente refratária a fluidos), choque, náuseas, vômitos, dor abdominal, hipoglicemia, febre, letargia, confusão mental e, em casos de insuficiência adrenal primária, hiperpigmentação da pele e mucosas.

Qual é o tratamento inicial e mais importante para uma crise adrenal?

O tratamento inicial e mais importante é a administração imediata de hidrocortisona intravenosa em altas doses (geralmente 100 mg em bolus, seguido de 100-200 mg/dia em infusão contínua ou doses fracionadas), juntamente com reposição volêmica agressiva com soro fisiológico 0,9%.

Por que a hiperpigmentação é um achado na insuficiência adrenal primária?

A hiperpigmentação ocorre na insuficiência adrenal primária (doença de Addison) devido ao aumento compensatório da secreção de ACTH pela hipófise. O ACTH é derivado da proopiomelanocortina (POMC), que também é precursora do hormônio estimulador de melanócitos (MSH), levando ao escurecimento da pele e mucosas.

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