ENARE/ENAMED — Prova 2025
Com queixa de dor de cabeça, Jéssica, 37 anos, diarista, vai pela primeira vez à unidade básica de saúde. Ela reporta: “Doutor, sinto essa dor há mais de 2 meses, desde que precisamos sair da nossa casa porque não dava mais para pagar o aluguel depois que meu marido foi demitido do emprego. Na minha casa somos eu, meu marido e três filhas de 4, 6 e 14 anos”.É exemplo de crise acidental do ciclo de vida familiar da família de Jéssica:
Desemprego familiar → crise acidental do ciclo de vida, impactando saúde e bem-estar.
Crises acidentais (não normativas) são eventos inesperados que desestabilizam a família, como desemprego, doenças graves ou acidentes. Diferem das crises normativas, que são esperadas nas transições dos estágios do ciclo de vida familiar (nascimento de filhos, saída dos filhos de casa).
O ciclo de vida familiar é um conceito fundamental na Atenção Primária à Saúde, descrevendo as fases de desenvolvimento pelas quais uma família passa. Cada fase possui desafios e tarefas específicas. As crises familiares podem ser classificadas em normativas (esperadas e previsíveis, como o nascimento de um filho ou a saída dos filhos de casa) e não normativas ou acidentais (inesperadas e imprevisíveis, como desemprego, doenças graves, acidentes ou perdas). A compreensão desses conceitos é vital para a prática médica, especialmente em contextos de saúde da família. O desemprego é um exemplo clássico de crise acidental, pois é um evento estressor que desestabiliza a estrutura e o funcionamento familiar, gerando impactos financeiros, emocionais e sociais. Essa situação pode levar a um aumento da demanda por serviços de saúde, com queixas somáticas como a dor de cabeça relatada pela paciente, que muitas vezes têm um componente psicossocial significativo. O médico deve estar atento a esses determinantes sociais da saúde. A abordagem do médico na Unidade Básica de Saúde deve ir além da queixa principal, buscando compreender o contexto familiar e social do paciente. Identificar crises acidentais permite uma intervenção mais abrangente, oferecendo suporte, encaminhamentos para serviços sociais ou de saúde mental, e trabalhando com a família para fortalecer seus mecanismos de enfrentamento e resiliência.
Existem crises normativas, que são esperadas nas transições de estágio (ex: nascimento de filhos), e crises não normativas (acidentais), que são eventos inesperados e estressores (ex: desemprego, doença grave).
O desemprego gera estresse financeiro e emocional, podendo levar a problemas de saúde mental (ansiedade, depressão), conflitos familiares e dificuldades de acesso a recursos, impactando o bem-estar geral.
A abordagem familiar na Unidade Básica de Saúde é crucial para identificar e intervir precocemente em situações de crise, oferecendo suporte psicossocial, encaminhamentos e fortalecendo a resiliência familiar.
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