Testículo Não Descido em Lactentes: Diagnóstico e Conduta

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 2 meses de idade, não tem o testículo esquerdo palpável na bolsa escrotal. Na maternidade, essa alteração de exame físico foi anotada no resumo de alta. Ao exame, não há abaulamentos em região inguinal bilateralmente, a genitália externa é normal, na palpação se consegue conduzir testículo esquerdo da região púbica até próximo da bolsa escrotal. O diagnóstico e a conduta adequados ao quadro apresentado são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) testículo retrátil; cirurgia com 1 ano de idade.
  2. B) testículo retrátil; cirurgia de imediato, porque 90% dos casos estão associados ao processo vaginal patente.
  3. C) criptorquidia; cirurgia até 6 meses de idade para diminuir o risco de ocorrência de malignidade testicular no futuro.
  4. D) testículo não descido; reavaliar com 6 meses de idade
  5. E) testículo não descido; orquidopexia de imediato por laparoscopia com acesso umbilical.

Pérola Clínica

Testículo não descido em RN/lactente < 6 meses: reavaliar aos 6 meses, pois a descida espontânea ainda pode ocorrer.

Resumo-Chave

Em lactentes com testículo não palpável, a distinção entre testículo retrátil e criptorquidia é fundamental. Se o testículo pode ser conduzido até a bolsa escrotal, mas não permanece lá, pode ser retrátil. No entanto, em um bebê de 2 meses, a conduta inicial para um testículo não descido é a observação até os 6 meses de idade, pois a descida espontânea ainda é possível. Após os 6 meses, se persistir, a orquidopexia é indicada.

Contexto Educacional

O testículo não descido, ou criptorquidia, é uma das anomalias congênitas mais comuns do trato geniturinário masculino, afetando cerca de 2-5% dos recém-nascidos a termo. É crucial para residentes saberem diferenciar a criptorquidia do testículo retrátil e compreenderem a conduta adequada, pois o manejo incorreto pode ter implicações significativas na fertilidade e no risco de malignidade futura. No caso de um lactente de 2 meses com testículo não palpável que pode ser conduzido até a bolsa, mas não permanece, a situação pode ser um testículo retrátil ou um testículo não descido que ainda tem potencial para descida espontânea. A recomendação atual é aguardar até os 6 meses de idade, pois a maioria das descidas espontâneas ocorre nesse período. Após os 6 meses, se o testículo ainda não estiver na bolsa escrotal, a orquidopexia é indicada. A orquidopexia, geralmente realizada entre 6 e 18 meses de idade, tem como objetivos principais preservar a função testicular (melhorando a espermatogênese ao posicionar o testículo em um ambiente de temperatura mais baixa) e facilitar o exame físico para a detecção precoce de tumores testiculares, cujo risco é aumentado em testículos criptorquídicos. A intervenção precoce é vital para otimizar os resultados a longo prazo e minimizar as complicações associadas à criptorquidia.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre testículo retrátil e criptorquidia (testículo não descido)?

O testículo retrátil é aquele que pode ser facilmente manipulado para dentro da bolsa escrotal e permanece lá sem tensão, devido a um reflexo cremastérico hiperativo. Já na criptorquidia, o testículo está fora da bolsa escrotal e não pode ser levado ou mantido nela, seja por estar em um trajeto de descida incompleto ou ectópico.

Qual a conduta inicial para um testículo não descido em um lactente de 2 meses?

A conduta inicial é a observação e reavaliação. A descida testicular espontânea ainda pode ocorrer até os 6 meses de idade. Se o testículo não descer até essa idade, a intervenção cirúrgica (orquidopexia) é geralmente indicada para ser realizada entre 6 e 18 meses.

Por que a orquidopexia é recomendada para testículos não descidos após os 6 meses?

A orquidopexia é recomendada para posicionar o testículo na bolsa escrotal, o que diminui o risco de infertilidade (melhorando a espermatogênese em ambiente mais frio) e facilita o autoexame para detecção precoce de malignidade testicular, cujo risco é aumentado em testículos criptorquídicos.

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