INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um lactente com 6 meses de idade é trazido pela mãe para consulta de Puericultura em Ambulatório de Pediatria. Ao examiná-lo, o médico pediatra observou que o testículo esquerdo não se encontrava na bolsa escrotal e que não havia sinais de que o testículo estivesse no canal inguinal nem na região perineal. O testículo direito estava palpável no saco escrotal e era de tamanho adequado. A orientação correta nesse caso é:
Testículo não palpável aos 6 meses → Orquidopexia indicada entre 6 e 12 meses.
A descida espontânea do testículo após os 6 meses de vida é improvável. A intervenção cirúrgica precoce é crucial para preservar a fertilidade e permitir o rastreio de neoplasias.
A criptorquidia é uma das anomalias congênitas mais comuns do trato geniturinário masculino. Ocorre quando há falha na descida de um ou ambos os testículos para a bolsa escrotal. Durante os primeiros meses de vida, pode ocorrer a descida espontânea devido ao 'mini-puberdade' do lactente, mas esse processo raramente ocorre após o sexto mês. A recomendação atual de intervenção entre 6 e 12 meses baseia-se na preservação da função endócrina e exócrina da gônada. O pediatra deve estar atento para diferenciar a criptorquidia do testículo retrátil (que pode ser levado à bolsa e lá permanece sem tensão), sendo este último uma variante da normalidade que requer apenas acompanhamento anual.
Estudos histológicos demonstram que, a partir dos 6 a 12 meses de idade, testículos criptorquídicos começam a sofrer alterações degenerativas, como a perda de espermatogônias e fibrose tubular. Esperar até os 2 anos aumenta significativamente o risco de infertilidade futura. Além disso, a orquidopexia precoce facilita o autoexame e a detecção precoce de tumores testiculares, cujo risco é maior em pacientes com histórico de criptorquidia.
Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética possuem baixa sensibilidade e especificidade para localizar testículos intra-abdominais e não devem atrasar a conduta. O padrão-ouro para o diagnóstico e localização do testículo não palpável é a laparoscopia diagnóstica, que permite identificar a agenesia testicular ou proceder com a orquidopexia no mesmo tempo cirúrgico.
Atualmente, o uso de hCG ou análogos de GnRH para induzir a descida testicular não é recomendado como rotina pelas principais diretrizes de urologia pediátrica. As taxas de sucesso são baixas e os efeitos colaterais, além do risco de re-ascensão do testículo, tornam a cirurgia (orquidopexia) a conduta de escolha definitiva para garantir o posicionamento escrotal correto.
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