MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um lactente de 9 meses de idade, é levado à consulta de puericultura. Durante o exame físico, o pediatra observa que a bolsa escrotal direita está hipoplásica e vazia. Ao realizar a palpação minuciosa da região inguinal e abdominal, não foi possível localizar o testículo correspondente, mesmo com manobras de aquecimento das mãos e posicionamento em 'pernas de alfaiate'. O testículo esquerdo está adequadamente posicionado no escroto e apresenta volume normal para a idade. A mãe relata que notou a ausência desde o nascimento, mas foi orientada a aguardar. Diante do quadro clínico e da idade do paciente, a conduta mais adequada é:
Testículo não descido aos 6 meses → encaminhar para cirurgia (orquidopexia).
A descida espontânea do testículo raramente ocorre após os 6 meses de idade. O encaminhamento precoce previne complicações como infertilidade e malignidade.
A criptorquidia é uma das anomalias congênitas mais comuns do trato geniturinário masculino. A fisiopatologia envolve falhas no processo complexo de descida testicular, que depende de fatores hormonais (andrógenos) e mecânicos (gubernáculo). O diagnóstico é eminentemente clínico. A intervenção precoce visa preservar a função exócrina (espermatogênese) e endócrina, além de permitir o autoexame para detecção de tumores, cujo risco é significativamente maior em testículos criptorquídicos.
A recomendação atual das principais sociedades de urologia e pediatria é que a orquidopexia seja realizada preferencialmente entre os 6 e 12 meses de idade, idealmente antes dos 18 meses. Isso ocorre porque a descida espontânea é improvável após o primeiro semestre de vida e a permanência do testículo em ambiente extraescrotal (com temperatura mais elevada) leva a alterações histológicas progressivas, como perda de células germinativas e fibrose, aumentando o risco de infertilidade futura e dificultando a detecção precoce de neoplasias testiculares.
Não. Em casos de testículo não palpável, a ultrassonografia apresenta baixa sensibilidade e especificidade, não alterando a conduta cirúrgica. Se o testículo não é palpável ao exame físico minucioso, o paciente deve ser encaminhado diretamente ao cirurgião pediátrico para exploração (frequentemente por laparoscopia diagnóstica). O exame de imagem pode gerar falsos negativos ou positivos, atrasando o tratamento definitivo que é essencialmente clínico-cirúrgico.
O testículo retrátil é aquele que pode ser trazido para o fundo do escroto com manobras físicas e lá permanece sem tensão imediata, sendo uma variante da normalidade devido ao reflexo cremastérico hiperativo. Já na criptorquidia, o testículo está permanentemente fora da bolsa escrotal ou retorna imediatamente ao canal inguinal após a tração. O testículo retrátil requer apenas acompanhamento anual, enquanto a criptorquidia exige intervenção cirúrgica.
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