INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um lactente de 1 ano de idade é levado ao ambulatório com história de ausência de um dos testículos. A mãe refere ausência de vômitos, dor abdominal ou febre. Ao exame físico: criança em bom estado geral, risonha, ativa. O exame da região inguinoescrotal revela ausência de hiperemia e dor locais, com testículo esquerdo tópico e sem alterações, e hemiescroto direito vazio. Não foi possível palpar o testículo direito. Diante desse quadro, a conduta mais adequada é:
Criptorquidia persistente após 6 meses → Intervenção (cirúrgica ou hormonal) idealmente até 12-18 meses.
A descida espontânea do testículo é improvável após os 6 meses de vida. A correção precoce visa preservar a espermatogênese e facilitar o rastreio de neoplasias.
A criptorquidia é uma das anomalias genitais mais comuns na infância. O manejo clínico baseia-se na premissa de que o testículo fora do escroto sofre danos histológicos progressivos. As diretrizes atuais da Sociedade Brasileira de Pediatria e de Urologia enfatizam que a observação prolongada além do primeiro ano de vida é prejudicial. O tratamento, seja ele cirúrgico (orquidopexia) ou hormonal (HCG), deve ser concluído preferencialmente antes que a criança complete 18 meses, visando otimizar o prognóstico reprodutivo e reduzir a morbidade a longo prazo.
A maioria dos testículos que não estão na bolsa ao nascimento desce nos primeiros meses de vida, impulsionada pelo surto hormonal pós-natal. No entanto, estudos mostram que a descida espontânea é extremamente rara após os 6 meses de idade em lactentes a termo. Por isso, se o testículo permanecer não palpável ou fora da bolsa escrotal após o primeiro semestre de vida, o diagnóstico de criptorquidia é estabelecido e o planejamento terapêutico deve ser iniciado.
A terapia hormonal com gonadotrofina coriônica humana (HCG) ou análogos do GnRH pode ser tentada para estimular a descida testicular, agindo através do aumento da produção de testosterona. Sua eficácia é variável (geralmente baixa, em torno de 10-20%) e funciona melhor em testículos localizados próximos ao anel inguinal externo. Embora menos comum que a cirurgia, é uma opção descrita em protocolos para evitar o procedimento invasivo em casos selecionados antes do segundo ano de vida.
A orquidopexia precoce, idealmente realizada entre os 6 e 12 meses (e não ultrapassando os 18-24 meses), é crucial por três motivos principais: 1) Preservação da fertilidade, pois o ambiente intra-abdominal aquecido causa degeneração das células germinativas; 2) Redução do risco de câncer testicular ou, ao menos, facilitação do autoexame futuro; 3) Prevenção de complicações como a torção testicular e hérnias inguinais associadas.
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